Os heróis chegam à glória só depois de degolados: a escrita da História no filme Os Inconfidentes (1972), de Joaquim Pedro de Andrade

Autores

  • Manuela Rosa Coura Universidade de São Paulo. Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas

DOI:

https://doi.org/10.11606/issn.2318-8855.v14i2p518-536

Palavras-chave:

Cinema, Ditadura Militar, História, Inconfidência Mineira, Os Inconfidentes

Resumo

Este ensaio se concentra na análise do filme Os Inconfidentes (1972), dirigido por Joaquim Pedro de Andrade, a partir de sua construção técnica, estética e historiográfica, inserindo-o na tradição do cinema moderno brasileiro e situando sua historicidade na filmografia brasileira. Este ensaio decorre de uma pesquisa maior, que se concentrou em fazer uma decupagem da obra, cena a cena, algumas das quais serão tratadas neste texto. A partir delas, o objetivo deste ensaio é investigar como a obra desconstrói o discurso histórico oficial da Mineira, destacando suas contradições, em especial no tratamento da escravidão e na representação da figura de Tiradentes. O ensaio ainda trava contato com bibliografia especializada para compreender o modo como o filme subverte o paradigma de “filme histórico” e aponta para uma leitura crítica do passado em diálogo indireto com o cenário repressivo da ditadura militar. Por fim, discutem-se as intenções da obra em revisitar a Inconfidência como metáfora para a experiência política e social dos anos de 1970 no Brasil.

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Biografia do Autor

  • Manuela Rosa Coura, Universidade de São Paulo. Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas

    Graduada em História pela Universidade de São Paulo e graduanda em Filosofia pela mesma instituição. 

Referências

Fonte:

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Publicado

2025-12-19

Edição

Seção

Ensaios

Dados de financiamento

Como Citar

Coura, M. R. (2025). Os heróis chegam à glória só depois de degolados: a escrita da História no filme Os Inconfidentes (1972), de Joaquim Pedro de Andrade. Epígrafe, 14(2), 518-536. https://doi.org/10.11606/issn.2318-8855.v14i2p518-536