Da marginalização ao mito: a reinvenção de gauchos e malandros no imaginário nacional argentino e brasileiro

Autores

  • Higor William da S. M. Marcolino Universidade de São Paulo

DOI:

https://doi.org/10.11606/issn.2318-8855.v14i2p189-219

Palavras-chave:

Formação Nacional, Gaucho, História, Malandro, Sociedade

Resumo

Este trabalho possui como objetivo visualizar a relação entre figuras míticas nacionais e a formação de identidades nacionais e suas contradições. O trabalho, tendo a análise bibliográfica como metodologia, procura entender como as identidades do gaucho (gaúcho, no português) e do malandro, contribuíram para a consolidação nacional brasileira, e como estas imagens míticas foram criadas para além das histórias oficiais. Assim, será visto neste trabalho que as imagens destes personagens, antes considerados completamente fora do que deveria ser um padrão social positivo, são desconectadas do que o ocorrido de fato na época, tendo sua essência reformulada para adequar-se aos padrões sociais. Também será visto que a reformulação das imagens dos gauchos e malandros atendeu a uma classe específica, que hoje procura trazer o mito nacional enquanto consolidação de uma cultura específica. Conclui-se, então, que apesar das contradições expostas historicamente destes personagens na cultura nacional, é necessário aprofundar os estudos deles enquanto elementos da formação cultural de diversas regiões nacionais, trazendo maior clareza de sua existência e vivência para além do que é trazido pelo Estado de forma oficial.

Downloads

Os dados de download ainda não estão disponíveis.

Biografia do Autor

  • Higor William da S. M. Marcolino, Universidade de São Paulo

    Analista de Documentação e Acervo do Sindicato Nacional do Aeronautas e bolsista do Museu da Educação e do Brinquedo da Universidade de São Paulo. Tem experiência na área de História, com ênfase em história cultural, atuando principalmente nos seguintes temas: escravidão, brasil império, representações, identidades e processos criminais.

Referências

ADAMOVSKY, Ezequiel. Criollismo, experiencia popular y política: el gaucho como emblema subversivo. La Plata – AR-B, Anuario del Instituto de Historia Argentina, v.18, nº1, 2018.

ANDREWS, George Reid. AMÉRICA AFRO-LATINA: 1800-200. São Carlos -SP: Edufscar, 2007.

ARCHETTI, Eduardo. P. O “gaucho”, o tango, primitivismo e poder na formação da identidade nacional argentina. Rio de Janeiro – RJ, Mana, v.9, n° 1, 2003. p. 9-29.

BEIRED, José LB. Hispanismo, intelectuais e identidade nacional na Argentina. Anais eletrônicos do VIII Encontro Internacional da ANPHLAC, 2008.

BOMFIM, Delmar Cruz. Que malandro sou eu? Para uma cartografia do malandro brasileiro. Alagoinha – BA, Anais Seminário Interlinhas, v.1, nº3, 2013, p. 25-36.

BRASIL. Decreto nº 847, de 11 de outubro de 1891. Código Penal dos Estados Unidos Do Brazil, Rio de Janeiro - DF: Imprensa Nacional, 11 out. 1891.

BRESSER-PEREIRA, Luiz Carlos. A construção política do Estado. Lua Nova: Revista de cultura e política, n. 81, p. 117-146, 2010.

COSTA, Ian Anderson Maximiano. Borges anacrônico, um escritor do século XIX no XX: diálogos com Domingo Faustino Sarmiento a partir da figura dos gauchos. Belo Horizonte, Dissertação, Faculdade de Letras, Universidade Federal de Minas Gerais, 2022.

DALLARI, Dalmo de Abreu. Elementos de teoria geral do Estado. Saraiva, 1985. BARROS, Surya Aaronovich Pombo De. Negrinhos que por ahi andão: a escolarização da população negra em São Paulo (1870-1920). São Paulo, Dissertação de mestrado, Universidade de São Paulo, 2005.

DOMÍNGUEZ, Daniel Arrieta. La identidad nacional de los estados brasileño y argentino como construcción literaria a través de las figuras del bandeirante y del gaucho. Franca -SP, Revista História e Cultura, v.3, nº1, 2014, p. 105-119.

FERREIRA, C. M. Zé Carioca: um papagaio na periferia do capitalismo. Revista Novos Rumos, [S. l.], v. 49, n. 1, 2022.

FERRERAS, Norberto o. A formação da sociedade Argentina contemporânea. Sociedade e trabalho entre 1880 e 1920. FRANCA – SP, História, v.25, nº1, 2006, p. 170-181.

FIORIN, José Luiz. A construção da identidade nacional brasileira. Bakhtiniana. Revista de Estudos do Discurso, n. 1, 2009.

FRANCO, Stella Maris Scatena. Luzes e sombras na construção da nação argentina. Os manuais de História nacional (1868-1912). Bragança Paulista: EDUSF, 2003.

GOLDMAN, Noemi; SALVATORE, Ricardo. Caudillismos rioplatenses. Nuevas miradas a um viejo problema. Buenos Aires: Eudeba, 2005.

GONZÁLEZ, Francisco Colom. A nação como relato: a estrutura narrativa da imaginação nacional. Revista Brasileira de Ciências Sociais, v. 28, n. 82, p. 107-118, 2013.

GOMES, Tiago Melo. Formas e sentidos da identidade nacional: o malandro na cultura de massas (1884-1929). São Paulo – SP, Revista De História,141, 1999, p. 62-63.

GUTFREIND, Ieda; REICHEL, H. J. A região platina nos séculos XVII e XVIII: A cultura popular. In: As raízes históricas do Mercosul. A Região Platina Colonial. São Leopoldo: Editora Unisinos, 1996, p. 167-201.

JACINO, Ramatis. O negro no mercado de trabalho em São Paulo pós-abolição - 1912/1920. São Paulo, Tese, Universidade de São Paulo 2013.

JUNQUEIRA, Mary Anne. Estados Unidos. Estado nacional e narrativa da nação (1776- 1900). São Paulo: EDUSP, 2018.

LIMA, Camila Imaculada S.; NOGUEIRA, Gabriel Parente. A formação do Estado-Nacional Argentino e a construção da identidade nacional. Fortaleza, Revista Ameríndia - História, cultura e combates, v.1, n.1, 2006.

LYNCH, Jonh. As repúblicas do prata da independência a guerra do Paraguai. In: BETHELL, Leslie (org). História da América Latina, v. III, Da independência até 1870. São Paulo – SP, Edusp, 2001. p. 625-692.

MAYO, Carlos Alberto. Patricio de Belén: nada menos que un capataz. Hispanic American Historical Review, v. 77, n. 4, p. 597-617, 1997.

MARX, Karl. Introdução à Crítica da Filosofia do Direito de Hegel. In: Manuscritos econômico-filosóficos. Trad. Alex Marins. São Paulo: Martin Claret, 2001. p. 45-59.

PARANHOS, Adalberto. Capoeiras e malandros: barões da ralé. Uberlândia – MG, Artcultura, v.21, nº38, 2019, p.181-187.

SARMIENTO, Domingo Faustino. Facundo. Editora Elaleph, 1999.

WASSERMAN, Claudia. A formação do Estado Nacional na América Latina: as emancipações políticas e o intrincado ordenamento dos novos países. História da América Latina: cinco séculos (temas e problemas), 2010, p. 177-214.

VAINFAS, Ronaldo. Dicionário do Brasil imperial, 1822- 1889. Objetiva, 2002, p. 635-645.

YOLIS, MÁXIMO. Del gaucho literario al gaucho “real”: un aporte a su construcción en Argentina (1845-1913). Ouro Preto – MG, História da Historiografia, v.7, nº16, 2014, p.15- 36.

Downloads

Publicado

2025-12-19

Edição

Seção

Artigos

Como Citar

Marcolino, H. W. da S. M. (2025). Da marginalização ao mito: a reinvenção de gauchos e malandros no imaginário nacional argentino e brasileiro. Epígrafe, 14(2), 189-219. https://doi.org/10.11606/issn.2318-8855.v14i2p189-219