A Era das Declarações: direitos universais e cidadania nas Revoluções Atlânticas (1776–1804)
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.2318-8855.v14i1p76-109Palavras-chave:
Direitos Universais, Era das Declarações, Revolução Americana, Revolução Francesa, Revolução HaitianaResumo
Este artigo propõe a vigência de uma “Era das Declarações”. Em referência ao conceito “Era das Revoluções”, conforme apresentado pelo historiador Eric Hobsbawm, a Era das Declarações foi o momento em que diversas declarações de independência e de direitos foram produzidas e em que os direitos humanos surgem como novos conceitos políticos e sociais. Assim, este artigo analisa qualitativa e comparativamente o conteúdo de quatro declarações, produzidas entre 1776 e 1804: a Declaração de Independência dos Estados Unidos, a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, a Declaração dos Direitos do Mulher e da Cidadã e a Declaração de Independência do Haiti. Ligadas às principais Revoluções que chacoalharam o Atlântico no início da Era Contemporânea — isto é, a Revolução Americana, a Revolução Francesa e a Revolução Haitiana —, estas declarações são analisadas a partir do contexto em que foram produzidas, do seu conteúdo e de sua forma, considerando a extensão e os limites da universalidade de direitos que elas propõem. Para compreender melhor como os princípios propostos pelas declarações são aplicados ou rejeitados, são mobilizadas a Constituição dos Estados Unidos de 1787, a Constituição da França de 1791 e a Constituição do Haiti de 1805. Como resultado, compreende-se que nenhuma das declarações analisadas era, de fato, universal, uma vez que cada uma delas representava os interesses, as contradições e as expectativas daqueles que as escreveram. Apesar disso, essas declarações contribuíram para a concepção contemporânea de direitos humanos universais e deram início à inclusão cada vez maior de grupos antes excluídos.
Downloads
Referências
Fontes
CONSEIL CONSTITUTIONNEL. Constitution de 1791. [1791]. Disponível em: https://www.conseil-constitutionnel.fr/les-constitutions-dans-l-histoire/constitution-de-1791. Acesso em: 4 abr. 2025.
CONSEIL CONSTITUTIONNEL. Déclaration des droits de l’homme et du citoyen de 1789. [1789]. Disponível em: https://www.conseil-constitutionnel.fr/le-bloc-de-constitutionnalite/declaration-des-droits-de-l-homme-et-du-citoyen-de-1789. Acesso em: 4 abr. 2025.
DESSALINES, Jean-Jacques. Constitution d'Hayti. 1805. Disponível em: https://gallica.bnf.fr/ark:/12148/bpt6k316887c. Acesso em: 4 abr. 2025.
GOUGES, Olympe de. Les droits de la femme. A la Reine. [1789]. Disponível em: https://gallica.bnf.fr/ark:/12148/bpt6k9629179b/f9.item. Acesso em: 4 abr. 2025.
HAÏTI. Acte d'indépendance. [1804]. Disponível em: https://mjp.univ-perp.fr/constit/ht1804.htm. Acesso em: 4 abr. 2025.
LOCKE, John. Dois tratados sobre o governo. Tradução: Júlio Fischer. 1. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1998.
UNITED STATES NATIONAL ARCHIVES AND RECORDS ADMINISTRATION. The Constitution of the United States: A Transcription. [1787]. Disponível em: https://www.archives.gov/founding-docs/constitution-transcript. Acesso em: 4 abr. 2025.
UNITED STATES NATIONAL ARCHIVES AND RECORDS ADMINISTRATION. Declaration of Independence: A Transcription. [1776]. Disponível em: https://www.archives.gov/founding-docs/declaration-transcript. Acesso em: 4 abr. 2025.
UNITED STATES. The Declaration of Independence & the Constitution of the United States. Washington, D.C.: U.S. Citizenship and Immigration Services, 2008.
Referências bibliográficas
ARENDT, Hannah. On Revolution. Londres: Penguin Books, 1990.
ARMITAGE, David; GAFFIELD, Julia. Introduction. In: GAFFIELD, Julia. The Haitian Declaration of Independence: creation, context, and legacy. Charlottesville: University of Virginia Press, 2016, p. 1–24.
BOAVENTURA, Bruno J. R.. Declaração de Independência e Constituição Americana: federalização do Estado. Revista CEJ, Brasília, v. 15, n. 52, 11, p. 61-6-8, jan./mar. 2011. Disponível em: https://revistacej.cjf.jus.br/cej/index.php/revcej/article/view/1490/1456. Acesso em: 4 abr. 2025.
DAVIS, Angela. Mulheres, Raça e Classe. São Paulo: Boitempo, 2016.
DUBOIS, Laurent. Os Vingadores do Novo Mundo: A história da Revolução Haitiana. Eduff: Niterói, 2022.
FICK, Carolyn E. The Making of Haiti: The Saint-Domingue Revolution from Below. Knoxville: University of Tennessee Press, 1990.
GAFFIELD, Julia. Preface. In: GAFFIELD, Julia. The Haitian Declaration of Independence: creation, context, and legacy. Charlottesville: University of Virginia Press, 2016, p. vii–xi.
GEGGUS. David. Haiti’s Declaration of Independence. In: GAFFIELD, Julia. The Haitian Declaration of Independence: creation, context, and legacy. Charlottesville: University of Virginia Press, 2016, p. 25–41.
GIRARD, Philippe. Did Dessalines Plan to Export the Haitian Revolution?. In: GAFFIELD, Julia. The Haitian Declaration of Independence: creation, context, and legacy. Charlottesville: University of Virginia Press, 2016, p. 136–160.
GIRARD, Philippe. Rebelles with a Cause: Women in the Haitian War of Independence, 1802–04. Gender & History, Oxford, v. 21, n. 1, abr. 2009, p. 60–85.
GODINEAU, Dominique. Filhas da Liberdade e Cidadãs Revolucionárias. In: DUBY, Georges.; PERROT, Michelle. História das Mulheres no Ocidente. Porto: Edições Afrontamento, 1994.
HOBSBAWM, Eric. A Era das Revoluções: 1789–1848. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2004.
HUNT, Lynn. A Invenção dos Direitos Humanos. São Paulo: Companhia das Letras, 1990.
JAMES, C. L. R. Jacobinos Negros: Toussaint L’Ouverture e a Revolução de São Domingos. São Paulo: Boitempo, 2010.
POLLAK, Michel. Memória, Esquecimento, Silêncio. Estudos Históricos, Rio de Janeiro, vol. 2, n. 3, 1989, p. 3–15.
REUTER. Martina. Equality and Difference in Olympe de Gouges’ Les droits de la femme. A La Reine. Australasian Philosophical Review, v. 3, ed. 4, 2019, p. 403–412. Disponível em: https://www.tandfonline.com/doi/full/10.1080/24740500.2020.1840652. Acesso em: 9 ago. 2024.
SANTOS, Maria do Carmo Rebouças. Descolonizando os Estudos Do Direito Constitucional: o constitucionalismo haitiano de 1801 a 1816. Revista sobre Acesso à Justiça e Direitos nas Américas, Brasília, v.6, n.2, ago./dez. 2022, p. 22–43.
SIESS, Jurgen. Reivindicar os direitos das mulheres em 1791: uma tentativa fadada ao fracasso? O interdiscurso da Declaração dos direitos da mulher e da cidadã. Revista Eletrônica de Estudos Integrados em Discurso e Argumentação, v. 10, n. 1, 2 jun. 2016. Disponível em: https://periodicos.uesc.br/index.php/eidea/article/view/1063/980. Acesso em: 9 ago. 2024.
SOUZA, Itamar de. A mulher e a Revolução Francesa: participação e frustração. Revista UNI-RN, [S. l.], v. 2, n. 2, p. 111, 2003. Disponível em: https://revistas.unirn.edu.br/index.php/revistaunirn/article/view/81. Acesso em: 9 ago. 2024.
TROUILLOT, Michel-Rolph. Silenciando o Passado: Poder e a Reprodução da História. Curitiba: Huya, 2016.
VOVELLE, Michel. A Revolução Francesa, 1789-1799. São Paulo: Unesp, 2012.
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2025 Sarah Beatriz Gomes de Almeida

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
A revista Epígrafe não exerce cobrança pelas contribuições recebidas, garantindo o compartilhamento universal de suas publicações. Os autores mantêm os direitos autorais sobre os textos originais e inéditos que disponibilizarem e concedem à revista o direito de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a Licença Creative Commons Attribution que permite o compartilhamento do trabalho com reconhecimento da autoria e publicação inicial nesta revista.