Os conflitos de representação na formação dos Estados Ibéricos modernos (1580 - 1640)
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.2318-8855.v14i2p369-397Palavras-chave:
Estados Modernos, Precedência, RepresentaçãoResumo
No ano de 1578, o desaparecimento de D. Sebastião na Batalha de Alcácer Quibir produziu uma crise sucessória no trono português, comprometendo a autonomia lusitana garantida por Afonso Henriques após a Batalha de Ourique em 1139. A ascensão de Filipe II de Castela ao trono de Portugal foi condicionada por exigências portuguesas, sendo a principal a possibilidade de representação da monarquia a partir da transferência da corte para Lisboa. O não cumprimento dos termos estabelecidos nas Cortes de Tomar (1581) inaugurou uma sequência de textos – tanto literários, como políticos – a respeito da honra e dignidade do reino de Portugal. Nos interessamos pelos defensores da precedência portuguesa na representação da monarquia, e como a proximidade à figura do monarca revela o caráter compósito dos Estados modernos ibéricos. A partir da análise do Tratado sobre a precedência do reino de Portugal ao reino de Napoles (1597), do frei beneditino Bernardo de Braga, e do Memorial de la preferencia, que haze el reyno de Portugal, y su consejo, al de Aragon, y de las dos Sicilias (1627), de Pedro Barbosa, é possível o entendimento dos conflitos de representação como um dos elementos nas disputas que construíram a monarquia compósita hispânica, caracterizada pelo posicionamento do rei como árbitro último e maior intermediador das querelas políticas.
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Referências
Fontes:
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