Musa dos Impérios: o museu universal diante das demandas de repatriação de artefatos arqueológicos egípcios

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DOI:

https://doi.org/10.11606/issn.2318-8855.v14i2p270-291

Palavras-chave:

Arqueologia egípcia, Imperialismo, museu universal, repatriação

Resumo

Desde as expedições napoleônicas, no final do século XVIII, até sua independência, no século XX, o Egito sofreu saques pelos colonizadores franceses e britânicos e muito de seu patrimônio arqueológico foi retirado do país de modo ilegal ou clandestino. O imperialismo europeu foi responsável por realocar artefatos de relevância histórico-cultural ao povo egípcio para grandes museus ocidentais, onde a proveniência dessas coleções (por vezes violenta) é dissimulada. Há décadas, com as lutas anticoloniais por independência, diversos países passaram a reclamar a devolução de seu patrimônio pilhado no contexto colonial – e o Egito é um exemplo notório. Em seu contexto africano, o país se insere numa miríade de expatriações indevidas. Sua situação se destaca, entretanto, pela forma com que o passado faraônico é apropriado pelo discurso colonial europeu. Ademais, as questões concernentes ao patrimônio egípcio explicitam a continuidade da herança colonial nas práticas museológicas do Ocidente e dos assim chamados “museus universais”.

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Biografia do Autor

  • Guilherme Ferreira Bueno, Universidade Estadual de Campinas

    Graduando de bachelado e licenciatura em História pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP).

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2025-12-19

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Bueno, G. F. (2025). Musa dos Impérios: o museu universal diante das demandas de repatriação de artefatos arqueológicos egípcios. Epígrafe, 14(2), 270-291. https://doi.org/10.11606/issn.2318-8855.v14i2p270-291