A invenção do sujeito biológico e o governamento da vida

(ainda) as reflexões de Giorgio Agamben sobre a pandemia de SARS-CoV-2

Autores/as

DOI:

https://doi.org/10.11606/issn.2178-6224v20i2p%25p

Palabras clave:

Governabilidade biopolítica, Governabilidade da vida, Giorgio Agamben

Resumen

Este artigo se situa entre a filosofia política e a filosofia da biologia ao problematizar as reflexões do filósofo Giorgio Agamben sobre a pandemia de SARS-CoV-2. Ao promover o debate biopolítico, Agamben reafirma o argumento da politização pandêmica sob o paradoxo da in/segurança apoiado em uma racionalidade biológica e observado na organização daquilo que o autor denominou estado securitário. Para tanto, serve-se de Michel Foucault ao explorar questões relacionadas à emergência de um saber-bios necessário ao exercício de um poder-bios (biopoder). Por fim, especula sobre a constituição do sujeito biológico como um modo de subjetivação securitária como resposta à crítica de Agamben à passividade dos indivíduos em face à aceitação pacífica de um governo de exceção durante a pandemia, motivando a escolha da população pela vida biológica em detrimento das demais formas de vida.

Biografía del autor/a

  • José Luís Ferraro, Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul

    Doutor em Educação pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). Bolsista Produtividade do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Professor dos Programas de Pós-Graduação em Educação e Educação em Ciências e Matemática da PUCRS.

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Publicado

2025-12-30

Cómo citar

FERRARO, José Luís. A invenção do sujeito biológico e o governamento da vida: (ainda) as reflexões de Giorgio Agamben sobre a pandemia de SARS-CoV-2. Filosofia e História da Biologia , São Paulo, Brasil, v. 20, n. 2, p. 227–256, 2025. DOI: 10.11606/issn.2178-6224v20i2p%p. Disponível em: https://revistas.usp.br/fhb/article/view/fhb-v20-n2-05.. Acesso em: 4 jan. 2026.