Gramáticas brasileiras da segunda metade do século XX e seus horizontes de retrospecção: a questão do pleonasmo
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.2176-9419.v28i1e-240968Keywords:
Grammar, Pleonasm, Linguistics Instrument, Horizon of retrospection, ExamplesAbstract
Neste texto, a partir da articulação entre História das Ideias Linguísticas (HIL) e Análise do Discurso (AD), analisamos a Moderna Gramática Portuguesa, de Evanildo Bechara (1961) e a Nova Gramática do Português Contemporâneo, de Celso Cunha e Cintra (1985). Compreendemos a gramática como instrumento linguístico proveniente de um processo de gramatização (Auroux, 1992), de modo que prescreve e instrumentaliza a língua. Guimarães (1996) periodiza a gramatização brasileira em quatro períodos, e nosso recorte coincide com o quarto período proposto por ele, caracterizado pela inserção da linguística no currículo obrigatório dos cursos de Letras e criação das primeiras pós-graduações na área. Objetivamos analisar o conceito de pleonasmo nessas gramáticas e os exemplos ligados a ele. Sendo um conceito que gerou divergência entre gramáticos desse período e anteriores, vemos nele um terreno propício para, a partir do entendimento do horizonte de retrospecção de Auroux (1992), que é a afirmação que um saber filia-se a outro, analisar nessas obras os horizontes de retrospecção atrelados aos conceitos de ambas e as proximidades e afastamentos entre os conceitos e as filiações dos gramáticos.
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