A arte de atiçar tambores: os sentidos do fogo nas performances musicais do candombe afro-uruguaio
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.2525-3123.gis.2025.222977Palavras-chave:
Candombe afro-uruguaio, Tambores, Fogo, Energia sonora, AtmosferasResumo
O texto oferece observações sobre a tradição do fogo nas performances musicais do candombe afro-uruguaio, uma manifestação cultural marcada pela presença dos tambores chico, piano e repique. A partir de trabalho etnográfico conduzido entre 2017 e 2020, o autor mostra que o momento de “templar los tambores” possui diferentes sentidos. Além de cumprir o objetivo técnico de afinação dos couros, o fogo cria uma atmosfera propícia que atua nos humores, nas relações de energização entre tamborileros e seus instrumentos percussivos e na execução rítmica das comparsas que saem em marcha pelas ruas. O texto associa essa prática à construção de um "ambiente social" (Meyer 2019) e destaca a importância da intuição e das sensações corpóreas (Ingold 2000) na materialização da ancestralidade do candombe. Reconhecer a dimensão ígnea desse ritual é crucial para compreender a força, a magia e os processos de afetação inerentes a essa expressão musical coletiva.
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