Desigualdade no digital: o racismo algorítmico no contexto de mães adolescentes no Instagram

Autores

  • Thais Cristina de Souza Silva Universidade de São Paulo
  • Amanda Silva Teixeira Universidade de São Paulo
  • Cristiane da Silva Cabral Universidade de São Paulo
  • Luisa Brito de Oliveira Universidade de São Paulo

DOI:

https://doi.org/10.11606/issn.2525-3123.gis.2025.228375

Palavras-chave:

Racismo algorítmico, Eugenia maquínica, Instagram, Gravidez na adolescência

Resumo

A pesquisa tem como objetivo refletir sobre os conceitos de racismo algorítmico e eugenia maquínica a luz de dois perfis de mães jovens no Instagram, que foram acompanhados durante os dois anos iniciais da pandemia: Ana Luiza, mãe, jovem, branca, classe média e residente no Sul do Brasil; e Giovanna, mãe, jovem, parda, classe popular e residente do Sudeste do país. Ambas possuem a mesma idade, mas situadas em diferentes contextos sociais. Os conteúdos produzidos por elas são semelhantes, entretanto, são vistas de maneira desigual pelo algoritmo do Instagram. Os conceitos acionados trazem à tona questões sobre inteligência artificial e seu mecanismo de funcionamento, isto é, o fato que reproduzem e reforçam estruturas macro-sociais. Na plataforma Instagram existe uma lógica de venda: pessoas são produtos e produtoras (discutido no trabalho a partir da noção de mercantilização do eu), porém os algoritmos controlam a visibilidade segundo determinadas lógicas de subordinação. 

Downloads

Os dados de download ainda não estão disponíveis.

Biografia do Autor

  • Thais Cristina de Souza Silva, Universidade de São Paulo

    Mestre em Saúde Pública do Programa de Pós-Graduação em Saúde Pública da Universidade de São Paulo. Possui bacharelado e licenciatura em Ciências Sociais pela Universidade de Brasília (2018). Tem como temas de interesse nos estudos e pesquisa acadêmica: gênero, ambientes digitais, saúde e juventude.

  • Amanda Silva Teixeira, Universidade de São Paulo

    Mestra em Saúde Pública da Universidade de São Paulo, pesquisadora dos temas: gênero, sexualidade, saúde sexual e reprodutiva, adolescências, juventudes e internet. Bacharel em Ciências Sociais pela Universidade Federal de São Paulo. Ênfase nas áreas de pesquisas relacionadas a: antropologia, sociologia, saúde pública e políticas públicas. Pesquisadora voluntária do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros - NEAB da Universidade Federal de São Paulo. Iniciação científica intitulada "Análise das Políticas de redução da mortalidade materna no município de São Paulo" financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo - FAPESP (2019).

  • Cristiane da Silva Cabral, Universidade de São Paulo

    Professora Associada do Departamento Saúde, Ciclos de Vida e Sociedade (antigo Dept. Saúde Materno-Infantil) da Faculdade de Saúde Pública da USP (FSP-USP), com dedicação integral à docência e à pesquisa. Possui bacharelado em Psicologia, formação de Psicólogo e residência em Saúde Coletiva pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Mestrado (2002) e Doutorado (2011) em Saúde Coletiva (área de concentração em Ciências Humanas e Saúde) pelo Instituto de Medicina Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (IMS/UERJ). Atualmente é coordenadora do GT Fecundidade, Comportamento e Saúde Sexual e Reprodutiva da ABEP (Associação Brasileira de Estudos Populacionais). Atualmente é Vice Chefe do Dept. Saúde, Ciclos de Vida e Sociedade (FSP) e Assistente Técnica de Direção da FSP. É líder do grupo de pesquisa 'Saúde Reprodutiva, Gênero e Sociedade' do CNPq. Tem dedicado seus estudos a temáticas relativas a juventude, relações de gênero, família, contracepção, sexualidade e reprodução sob a perspectiva que integra as metodologias qualitativa e quantitativa de pesquisa.

Referências

Beiguelman, Giselle. 2021. Políticas da imagem - Vigilância e Resistência da Dadosfera. 1ed, São Paulo. Ubu Editora. 244p.

Brandão, Elaine Reis. 2006. Capítulo 2 - Gravidez na adolescência: um Balanço Bibliográfico. In: Heilborn, Maria Luiza et al (ed.1), O aprendizado da sexualidade: reprodução e trajetórias sociais de jovens brasileiro. Rio de Janeiro. Garamond e Fiocruz. p.63-97.

Brandão, Elaine Reis e Cristiane da Silva Cabral. 2021. Justiça reprodutiva e gênero: desafios teórico-políticos acirrados pela pandemia de Covid-19 no Brasil. Interface - Comunicação, Saúde, Educação [online],(25).

Brandão, Elaine Reis e Cristiane da Silva Cabral. 2017. Da gravidez imprevista à contracepção: aportes para um debate. Cadernos de Saúde Pública,(33).

Cabral, Cristiane da Silva e Elaine Reis Brandão. 2020. Gravidez na adolescência, iniciação sexual e gênero: perspectivas em disputa. Cadernos de Saúde Pública, (36).

Cavalheiro, Larissa Nunes e Fernando Hoffmam. 2012. Resenha: Lemos, André e Pierre Lévy. O futuro da internet: em direção a uma ciberdemocracia planetária. Revista Direitos Emergentes na Sociedade Global, (1): p.192-194.

Cormen, Thomas. 2014. Desmistificando Algoritmos. 1ed, Rio de Janeiro. Elsevier Editora. p.200.

Escobar, Arturo, David Hess, Isabel Licha, Will Sibley, Marilyn Strathern e Judith Sutz. 1994. Welcome to Cyberia: notes on the anthropology of cyberculture. Current Anthropology,(35): p. 211-231.

Evans, Marilyn, Lorie Donelle e Laurie Hume-Loveland. 2012. Social support and online postpartum depression discussion groups: a content analysis. Patient education and counseling, (87): p.405–410.

Fernandes, Camila. 2017. Figuras da causação: sexualidade feminina, reprodução e acusações no discurso popular e nas políticas de Estado. Rio de Janeiro, RJ. Tese de Doutorado em Antropologia. Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). 250p.

Han, Byung-Chul. 2018. Psicopolítica – o neoliberalismo e as novas técnicas de poder. 7ed, Belo Horizonte, YINÉ, 117p.

Hine, Christine, Carolina Parreiras e Beatriz Accioly Lins. 2020. A internet 3E: uma internet incorporada, corporificada e cotidiana. Cadernos de Campo, (29).

Lins, Beatriz, Carolina Parreiras e Eliane Tânia de Freitas. 2020. Estratégias para pensar o digital. Cadernos de Campo, (29).

Miskolci, Richard. 2011. Novas Conexões: notas teórico-metodológicas para pesquisas sobre o uso de mídias digitais. Cronos, (12): p. 9-22.

O’neil, Cathy. Algoritmos de destruição em massa: como o big data aumenta a desigualdade e ameaça a democracia. 1ed, Santo André, Editora Rua do Sabão, 339p.

Oliveira Jaiane Araujo de e Rosemary de Oliveira de Almeida. 2014. O. Juventude e novas tecnologias da informação e comunicação: tecendo redes de significados. Rev. NUFEN, (6): p. 70-89.

Parreiras, Carolina. 2021. Desigualdades digitais e discriminação algorítmica. Disponível em: https://www.instagram.com/p/CPeKUOIp0RW/?igshid=MzRlODBiNWFlZA==

Preciado, Paul. 2020. Aprendendo com o vírus. El País. Artigo de Opinião. Disponível em: https://elpais.com/elpais/2020/03/27/opinion/1585316952_026489.html

Prensky, Marc. 2001. Digital natives, digital immigrants. NCB University Press, (9/5).

Searle, John Rogers. 1996. Mentes, cérebros e programas. In: J. F. TEIXEIRA, Cérebros, máquinas e consciência: uma introdução à Filosofia da Mente. São Carlos, Editora da UFSCar.

Seaver, Nick. 2017. Algorithms as culture: Some tactics for the ethnography of algorithmic systems. Big Data & Society, 4(2).

Segata, Jean. 2020. A pandemia e o digital. Revista Todavia Porto Alegre, (7): p.7-15.

Segata, Jean. 2016. Políticas Etnográficas no campo da cibercultura. 1ed., Brasília, ABA Publicações, 210p .

Sibilia, Paula. 2016. O show do eu: a intimidade como espetáculo. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 360p.

Silva, Ilaydiany Oliveira da e Fábio Castro Gouveia. 2020. Engajamento informacional nas redes sociais: como calcular. Atoz: novas práticas em informação e conhecimento, (3/6): p. 2-9.

Silva, Tarcízio. 2022. Racismo algorítmico: inteligência artificial e discriminação nas redes digitais. 1ed, São Paulo, Edições Sesc São Paulo, 170p.

Thompson, John B. 2013. A mídia e a modernidade: uma teoria social da mídia. 5ed., Petrópolis, Vozes, 261p.

Publicado

2025-11-11

Edição

Seção

Dossiê inteligência artificial em perspectiva crítica: contribuições antropológicas e imaginários tecnológicos

Como Citar

Silva, Thais Cristina de Souza, Amanda Silva Teixeira, Cristiane da Silva Cabral, e Luisa Brito de Oliveira. 2025. “Desigualdade No Digital: O Racismo algorítmico No Contexto De mães Adolescentes No Instagram”. GIS - Gesto, Imagem E Som - Revista De Antropologia 10 (1): e228375. https://doi.org/10.11606/issn.2525-3123.gis.2025.228375.