Big data vs. thick data: será que é a questão? Para uma ecologia das práticas digitais
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.2525-3123.gis.2025.230965Palavras-chave:
Big data, Antropologia digital, Ciência, tecnologia e sociedade, Ecologia das práticas digitaisResumo
Neste texto, voltamos sobre o debate já consolidado do encontro entre as metodologias antropológicas e o mundo tecno-digital das big data, e outras inteligências artificiais que povoam exponencialmente nossas realidades. Num primeiro momento, uma revisão parcial joga luz sobre a incorrigível circularidade da recursividade desse debate, quer focando as relações entre dispositivos e usuários , quer focando epistemologias interpretativistas que evitam reintroduzir-lo em um meio compartilhado no qual o humano não domina mais, ou esquecem uma individuação simultaneamente psíquica e coletiva promovida pela técnica. Num segundo momento, questionamos a exaustão dualista deste debate, com o auxílio dos estudos em ciência, tecnologia e sociedade, apontando modalidades relacionais através a qualculaçao e a dimensão artefeita dos algoritmos, até suas emergências estéticas. Enfim, deixando aberto o debate, apontamos certa antropologia mais-que-digital como forma de ecologizar as práticas digitais com metodologias abertas, suscetíveis de manter uma politização comum à ciência de dados e antropologia.
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