A representação dos povos indígenas por uma editora fantasma

Autores/as

DOI:

https://doi.org/10.11606/issn.2178-2075.incid.2026.246148

Palabras clave:

Literatura indígena, Autoria, Editoração

Resumen

Tomamos como objeto de análise dois livros – “Yanomamis” e “Tupinambás” – que integram a Coleção Povos Indígenas do Brasil, uma coleção de livros paradidáticos para crianças publicada pela Editora Nova Leitura. Dado que a coleção está classificada na maior livraria digital (Amazon) como “literatura indígena”, exploramos as características que a crítica literária atribui à literatura indígena para contrastar as características apontadas pela fortuna crítica com os livros examinados. O exame dos livros identificou ausência de autoria (tanto do texto como das imagens), então exploramos questões referentes ao papel do editor como mediador de informação, bem como questões referentes à autoria indígena numa perspectiva decolonial, às repetições e manipulações das ilustrações nos livros da coleção e à exploração de propriedade intelectual indígena. O resultado é que os povos indígenas não têm seu direito à autodeterminação respeitado pela cadeia editorial examinada.

Descargas

Los datos de descarga aún no están disponibles.

Biografía del autor/a

  • Lou-Ann Kleppa, Universidade Federal de Rondônia

    Doutora em Linguística pela Universidade Estadual de Campinas, UNICAMP;

    Professora do Curso de Letras-Português da Universidade Federal de Rondônia, UNIR em exercício no Ministério dos Povos Indígenas em Brasília, DF, Brasil.

Referencias

BRITTO, Tarsila Couto de; SOUSA FILHO, Sinval Martins de; CÂNDIDO, Gláucia Vieira. O avesso do direito à literatura: por uma definição de literatura indígena. Estudos de Literatura Brasileira Contemporânea, n. 53, p. 177-197, 2018. Disponível em: https://www.scielo.br/j/elbc/a/v8Mq5p4P6j9vRKVMXJ5WjPC/?format=html&lang=pt&ilang=pt_BR. Acesso em: 17 set. 2026.

CARVALHO, Eliana Márcia dos Santos; SANTOS, Renata Lourenço dos. Literatura indígena: entre memórias. Educação em Revista, v. 39, p. 1 – 12, 2023. Disponível em: https://periodicos.ufmg.br/index.php/edrevista/article/view/38419. Acesso em: 17 set. 2026.

COSTA, Caroline Mendes Pinto Rocha da. A recepção do manto Tupinambá no Museu Nacional do Rio de Janeiro. Anais do Museu Histórico Nacional, v. 59, p. 1 – 20, 2025. Disponível em: https://anaismhn.museus.gov.br/index.php/amhn/article/view/389. Acesso em: 17 set. 2026.

FARIA, Victor Lúcio Pimenta de. A proteção jurídica de expressões culturais de povos indígenas na indústria cultural. São Paulo: Itaú Cultural: Iluminuras, 2012.

FAUSTO, Carlos. Fragmentos de história e cultura tupinambá: da etnologia como instrumento crítico de conhecimento etno-histórico. In: CUNHA, Manuela Carneiro da (Org.) História dos índios no Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 1992. p. 381-396.

FLUSSER, V. A escrita: há futuro para a escrita? Tradução de Murilo Jardelino da Costa. São Paulo: Annablume, 2010.

GOMES, Henriette Ferreira. A dimensão dialógica, estética, formativa e ética da mediação da Informação. Informação & Informação, Londrina, v. 19, n.2, p. 46-59, 2014. Disponível em : https://ojs.uel.br/revistas/uel/index.php/informacao/article/view/19994. Acesso em: 17 set. 2026

GRAÚNA, Graça. Literatura indígena no Brasil contemporâneo e outras questões em aberto. Educação & Linguagem, v. 15, n. 25, p. 266-276, 2012. Disponível em: https://www.researchgate.net/publication/273286464_Literatura_Indigena_no_Brasil_Contemporaneo_e_outras_Questoes_em_Aberto. Acesso em: 17 set. 2026.

GUESSE, Érika Bergamasco. Da oralidade à escrita: os mitos e a literatura indígena no Brasil. Anais do SILEL, v. 2, n. 2, p. 1 -11, 2011. Disponível em: ileel.ufu.br/anaisdosilel/wp-content/uploads/2014/04/silel2011_130.pdf. Acesso em: 17 set. 2026.

IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Censo demográfico 2022: etnias e línguas indígenas. Principais características demográficas: resultados do universo. Rio de Janeiro: IBGE, 2025. Disponível em: https://censo2022.ibge.gov.br/panorama/indicadores.html?localidade=BR&tema=4. Acesso em: 17 set. 2026.

MÁXIMO, Bruno Pastre; BARRETO, Cristiana; BENITES, Eliel; PATAXÓ, Karkaju; OSPINA, Julia; KLEPPA, Lou-Ann. A restituição do manto tupinambá: entrevista com a equipe do Grupo de Trabalho de restituição de artefatos indígenas/Departamento de Línguas e Memórias Indígenas/Ministério dos Povos Indígenas. Anais do Museu Histórico Nacional, v. 59, p. 1-26, 2025. Disponível em: https://anaismhn.museus.gov.br/index.php/amhn/article/view/373. Acesso em: 17 set. 2026.

MONTERO, Paula. Magia e pensamento mágico. São Paulo: Ática, 1990.

PACHAMAMA, Aline Rochedo. Autoria e ativismo de originários na escrita da História. In: DORRICO, Julie; DANNER, Fernando; DANNER, Leno Francisco (orgs.) Literatura indígena brasileira contemporânea: autoria, autonomia, ativismo. Porto Alegre: Ed. Fi, 2020.

ROXO, Elisangela. A volta do manto tupinambá. Piauí, 27 jun. 2023.

ROXO, Elisangela. As provações do manto tupinambá. Piauí, 12 set. 2024.

ROXO, Elisangela. Longe de casa. Piauí, ed. 182, 2021.

SELIGMAN SILVA, Márcio. Passagem para o outro como tarefa: tradução, testemunho e pós-colonialidade. Rio de Janeiro: Ed. UFRJ, 2022.

SOUZA, Oswaldo Braga de. O que você precisa saber para entender a crise na Terra Indígena Yanomami. Instituto Socioambiental, 31 jan. 2023. Disponível em: https://www.socioambiental.org/noticias-socioambientais/o-que-voce-precisa-saber-para-entender-crise-na-terra-indigena-yanomami. Acesso em: 17 set. 2026.

Publicado

2026-10-22

Número

Sección

Artigos

Cómo citar

KLEPPA, Lou-Ann. A representação dos povos indígenas por uma editora fantasma. InCID: Revista de Ciência da Informação e Documentação, Ribeirão Preto, Brasil, v. 17, p. e-246148, 2026. DOI: 10.11606/issn.2178-2075.incid.2026.246148. Disponível em: https://revistas.usp.br/incid/article/view/246148. Acesso em: 23 oct. 2026.