Eu vou, tu vais, ele vai: quando a memória encontra o estrangeiro
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.2965-7474.v1i7p%25pPalavras-chave:
Migração, Refugiados, Memória, Identidade, HospitalidadeResumo
Esta resenha analisa o romance Eu vou, tu vais, ele vai, de Jenny Erpenbeck, a partir da transformação do olhar de Richard, professor emérito de filologia clássica que, após a aposentadoria, aproxima-se de um grupo de refugiados africanos em Berlim. O contato com esses homens desloca sua curiosidade inicialmente acadêmica para uma escuta ética, por meio da qual histórias individuais substituem a categoria abstrata de “imigrante”. A obra articula migração, memória histórica, identidade nacional e burocracia, mostrando como a violência contemporânea também se manifesta na espera, na invisibilidade institucional e na suspensão da vida. Ao relacionar o presente dos refugiados às marcas do nazismo, da reunificação alemã, da Guerra Fria e do colonialismo europeu, Erpenbeck constrói uma narrativa que evita tanto o panfleto quanto a idealização. A resenha destaca, ainda, o caráter interdisciplinar do romance, próximo da antropologia, da sociologia e da história cultural, e conclui que a literatura devolve complexidade ao debate sobre pertencimento, hospitalidade e direitos humanos, ao transformar a escuta do outro em gesto intelectual, político e profundamente humano.
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ERPENBECK, Jenny. Eu vou, tu vais, ele vai. São Paulo: Companhia das Letras, 2024.
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