Almachio Diniz e a recepção cientificista de Nietzsche no Brasil (1900-1937)

Autores/as

  • Piero Detoni FFLCH/USP

Palabras clave:

Recepção de Nietzsche, Cientificismo, Almachio Diniz

Resumen

O presente artigo analisa a recepção e a apropriação da filosofia de Friedrich Nietzsche na obra do intelectual baiano Almachio Diniz (1880-1937). Argumentamos que Diniz promoveu uma “conversão epistêmica” do pensamento nietzschiano, traduzindo conceitos fundamentais, como o Übermensch, para a gramática do racionalismo biológico e do monismo de Ernst Haeckel. Através da análise de obras e de artigos publicados entre 1902 e 1937, demonstra-se como Diniz integrou Nietzsche a um sistema “mecanicista dos mundos”, aproximando-o do evolucionismo de Herbert Spencer e da nomologia darwinista. O estudo destaca a rede de sociabilidade intelectual de Diniz, marcada pelo diálogo direto com o germanista francês Henri Lichtenberger, o que permite questionar a centralidade solar da “Escola de Recife” na introdução do nietzschianismo no Brasil e propor uma cartografia descentralizada dessa recepção. Aborda-se, ainda, a dimensão profética da “loucura divina” e a reivindicação de prioridade de Diniz em 1937, interpretada como uma reação aos apagamentos institucionais e intelectuais sofridos pelo autor em vida. Conclui-se que a sua leitura, embora marcada por vieses eugênicos e deterministas próprios da sua época, encontrou o seu lugar ao sistematizar Nietzsche como um referencial científico e jurídico, informando as tradições cientificistas brasileiras das primeiras décadas do século XX.

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Biografía del autor/a

  • Piero Detoni, FFLCH/USP

    Graduado e Mestre em História pela UFOP. Doutor em História Social pela USP. Pós-doutor em História pela UNICAMP. Realiza, atualmente, pesquisa de pós-doutoramento na UFRRJ com bolsa FAPERJ NOTA 10.

Referencias

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Publicado

2026-03-12

Número

Sección

Artigos

Cómo citar

Detoni, P. (2026). Almachio Diniz e a recepção cientificista de Nietzsche no Brasil (1900-1937). Khronos, 20, 183-224. https://revistas.usp.br/khronos/article/view/244411