DOSSIER SOBRE SOCIOBIOLOGIA: REVISITANDO O DEBATE
CHAMADA DE ARTIGOS
Organização de dossier: Prof. Dra Sara Albieri (USP/IEA) e Prof. Dra. Marta Nunes da Costa (UFMS/IEA)
Em 1975, Edward Wilson publicou Sociobiology: The New Synthesis. Nesta obra, Wilson estabelece a sociobiologia como um campo de estudo que busca explicar o comportamento social de animais, inclusive dos seres humanos, a partir de uma perspectiva evolutiva e biológica. Tendo como pressuposto metodológico uma atitude interdisciplinar, que busca articular conhecimentos de diversas áreas, nomeadamente, ecologia, genética evolutiva, etologia, e antropologia, Wilson procura construir uma visão abrangente de como os comportamentos sociais podem ser entendidos como produtos da evolução. Esta tese, embora inovadora, foi recebida com várias críticas, tornando-se alvo de polêmica, não só entre seus colegas mais próximos - biólogos e professores de Harvard - mas entre a comunidade científica em geral. Com efeito, a pesquisa de Wilson conduzira à tese de que os comportamentos humanos - como o altruísmo, a agressão e os papéis de gênero - poderiam ser remetidos a fundamentos biológicos. Muitos viam com reticências a posição de Wilson, já que a direção da pesquisa parecia conduzir, inevitavelmente, a um determinismo biológico com impacto social e cultural. Dito por outras palavras, aceitar que a biologia condiciona os comportamentos humanos significa colocar em segundo plano (e potencialmente, até mesmo suspender) o poder da transformação social, cultural e política. Mas até que ponto as posições científicas não são, elas mesmas, fruto e expressões de compromissos ideológicos anteriores? De que forma as ideologias políticas interferem e condicionam o processo de construção de conhecimento científico e, em última análise, o processo de construção do conceito de “ciência”?
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