Entre educação científica e processos de (res)socialização: Contribuições da Epistemologia Fleckiana e da História da Ciência para uma abordagem crítica da natureza da ciência no ensino de Química em prisões
Palabras clave:
Ensino de Química, Educação em prisões, Ludwik Fleck, NdC, História da Química, AlquimiaResumen
Este estudo analisa as potencialidades da epistemologia de Ludwik Fleck para o ensino de Química em contextos de privação de liberdade, articulando-a à História da Ciência e às discussões sobre Natureza da Ciência. Parte-se do pressuposto de que a educação científica, quando compreendida para além da transmissão de conteúdos, pode constituir-se como espaço de formação crítica, ampliação dos referenciais interpretativos dos estudantes e fortalecimento de processos formativos associados à ressocialização. A pesquisa caracteriza-se como qualitativa, de natureza interpretativa, desenvolvida a partir de um estudo de caso educacional em uma unidade prisional do estado do Espírito Santo, no contexto da Educação de Jovens e Adultos. Como estratégia didática, foi elaborado e desenvolvido um Episódio da História da Química centrado na alquimia, com o objetivo de problematizar a construção histórica e social do conhecimento científico. Os dados foram produzidos por meio das interações discursivas dos estudantes durante a atividade e analisados à luz de categorias epistemológicas para a natureza da ciência inspiradas em Fleck. Os resultados indicam que a abordagem favoreceu o desenvolvimento de compreensões mais críticas sobre a ciência, a superação de concepções menos elaboradas sobre a alquimia e o reconhecimento do conhecimento científico como produção histórica, social e culturalmente situada. As interações dos estudantes também evidenciaram movimentos de ampliação das formas de interpretar a ciência, a sociedade e as próprias trajetórias pessoais, sugerindo que a educação científica, em contextos de privação de liberdade, pode contribuir para processos de formação humana mediada pela reconstrução das formas de pensar. Conclui-se que a articulação entre epistemologia fleckiana, História da Ciência e ensino de Química constitui um referencial fértil para a construção de práticas educativas críticas da natureza da ciência e socialmente contextualizadas no âmbito da educação em prisões.
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