Amuletos da criação: a correspondência entre Lygia Fagundes Telles e Rachel de Queiroz e seu papel na inserção das mulheres na literatura brasileira
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.2236-4242.v37i4p73-91Palavras-chave:
Epistolografia, Escritos de autoria feminina, Literatura BrasileiraResumo
A correspondência das escritoras Lygia Fagundes Telles (1923-2022) e de Rachel de Queiroz (1910-2003), hoje preservada no acervo literário do Instituto Moreira Salles e pouco conhecida no meio acadêmico, apresenta um interesse particular para seus estudiosos e para o estudo da carta enquanto manuscrito literário. Os documentos aqui transcritos e analisados propiciam uma abordagem profunda no pensamento íntimo de Lygia Fagundes Telles e suas reflexões sobre a criação e a vida literária. Seu diálogo com Rachel de Queiroz, que pode ser lido em bilhetes, cartões-postais e telegrama, enviados entre os anos 1980 e 2000, revela em filigrana as escolhas lygianas e permite ver a mensagem constante, trocada entre as duas autoras: a necessidade de inserção e afirmação da mulher de letras, num espaço majoritariamente ocupado e orquestrado por homens. O papel das duas autoras no cenário modernista brasileiro e questões que envolvem sua iniciação na literatura e na Academia são alguns dos assuntos discutidos neste artigo.
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