O meu amor é melhor que o teu: uma análise discursivo-pragmática de declarações de amor em publicações no Instagram
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.2236-4242.v37i4p229-249Palavras-chave:
Redes Sociais, Epistolar, Confissão, Análise do Discurso, PragmáticaResumo
As redes sociais permitem, entre outros aspetos, simular um nível de proximidade interpessoal, conseguido por meio da exposição da intimidade de um indivíduo perante um grupo de pessoas que, noutras circunstâncias, não acederiam a informações dessa natureza. Dentre as diferentes estratégias de partilha de privacidade nas redes sociais, a declaração de amor talvez seja uma das mais frequentes, constituindo um texto no qual o autor confessa os seus sentimentos, homenageando a pessoa com a qual se relaciona. Nesta sequência, no presente trabalho, pretendemos perceber se esses textos são uma nova forma de dizer o amor por escrito, constituindo exemplares atualizados do género epistolar, embora essa não fosse a única forma de o fazer no passado. Para tal, analisamos um corpus de sete legendas de Instagram, de diferentes autores, procurando perceber, sob uma perspetiva discursivo-pragmática, quais as confluências entre esses exemplares e o género em apreço. Focamos, com esse intuito, algumas marcas típicas do género epistolar, como as fórmulas de abertura e fecho, de tratamento e de delicadeza, articulando-as com a noção de ethos, mas também de implícito. Em traços gerais, concluímos que os pontos comuns são evidentes, não só no que diz respeito às rotinas verbais, como no que concerne à construção do ethos dos autores, à natureza dialógica do discurso, bem como à escolha dos atos de fala.
Downloads
Referências
ABIDIN, C. Communicative ❤ Intimacies: Influencers and Perceived Interconnectedness. In: A Journal of Gender, New Media & Technology, v. 6, p. 1-16, 2015. Disponível em: https://scholarsbank.uoregon.edu/xmlui/handle/1794/26365. Acesso em: 17 jan 2025.
AMOSSY, R. (org.). Images de soi dans le discours. La construction de l’ethos. Lausanne, Paris: Delachax et Niestlé, 1999.
ARAÚJO CARREIRA, M. H. La désignation de l’autre en portugais européen: instabilités linguistiques et variations discursives. In: Instabilités linguistiques dans les langues romanes, Travaux et Documents, n. 16. Org. M. H. Araújo Carreira. Paris: Université Paris 8, 2002, p. 173-184.
BAKHTIN, M. M. Marxismo e Filosofia da Linguagem. 6. ed. São Paulo: Hucitec, 1992.
BRANDON, J. Quais motivos podem levar o Instagram a superar o crescimento do TikTok. Forbes Brasil, 2023. Disponível em: https://forbes.com.br/forbes-tech/2023/06/o-Instagram-voltou-a-superar-o-tiktok-em-crescimento-entenda-o-motivo/. Acesso em 17 jan. 2025.
BRENOT, P. De la lettre d’amour. França: Zulma, 2000.
COULMAS, F. (org.). Introduction. In: Conversational Routine, Explorations in Standardized Communication situations and prepatterned speech, Vol. 2. Paris/New York: Mouton Publishers, 1981, p. 1-2.
DIAZ, B. La Lettre ou la pensée nomade. Paris: Presses Universitaires de France, 2002.
DIDIER, B. Journal intime. Paris: PUF, 1976.
DUARTE, I. M. Falar Claro a Mentir. In: Dar a Palavra à Língua – Homenagem a Mário Vilela. Faculdade de Letras da Universidade do Porto, 2005, p. 291-299.
GENETTE, G. Seuils. Paris: Seuil, 2002.
GOFFMAN, E. Interaction ritual. New York: Pantheon Books, 1967.
GOFFMAN, E. Forms of talk. Philadelphia, University of Pennsylvania Press, 1981.
HAHN, O. A. Borges y el Arte de la Dedicatoria. Revista Iberoamericana, v. 43, n. 100, p. 691-696, 1977.
HAROCHE-BOUZINAC, G. L’Épistolaire. Paris: Hachette, 1995.
KERBRAT-ORECCHIONI, C. L’Implicite. 2. ed. Paris: Armand Colin, 1986.
KERBRAT-ORECCHIONI, C. L’interaction épistolaire. In: J. Seiss (org.). Le Lettre, entre réel et fiction. Paris: Sedes, 1998, pp. 15-36.
LEJEUNE, P. O pacto autobiográfico: de Rousseau à internet. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2008.
MAINGUENEAU, D. Sémantique de la polémique. Lausanne: Éditions l’Âge de l’Homme, 1983.
MAINGUENEAU, D. Genèses du discours. Bruxelles: Pierre Mardaga, 1984.
MELANÇON, B. Diderot Épistolier, Contribution à une poétique de la lettre familière au XVIIIe siècle. Québec, Montréal: Bibliothèque Nationale du Québec, Éditions Fides, 1996.
NORRICK, N. R. Expressive illocutionary acts. Journal of Pragmatics, v. 2, n 3, p. 277-291, 1978.
PALRILHA, S. M. R. Contributos para a análise dos atos ilocutórios expressivos em português. Dissertação (Mestrado em Linguística e Ensino) - Universidade de Coimbra, Coimbra, 2009. Disponível em: https://www.uc.pt/uid/celga/recursosonline/dissertacoes/dissertacoesdemestrado/silveriamariaramospalrilha. Acesso em: 17 jan. 2025.
PAVEAU, M.-A. L’analyse du discours numérique: dictionnaire des formes et des pratiques. Paris: Hermann, 2011.
SEARA, I. Da epístola à mensagem electrónica. Metamorfoses das rotinas verbais. Tese (Doutoramento em Linguística na especialidade de Linguística Portuguesa) - Universidade Aberta, 2007.
SEARA, I. A Palavra Nómada. Contributos para o Estudo do Género Epistolar. Lisboa: Edições Colibri/ CLUNL, 2008.
SEARA, I. R. Marqueurs et stratégies de la confidence dans les fórum set les journaux personnels en ligne. In: A. Curea; C. Papahagi; M. Fekete (org.). Discours en présence: hommage a Liana Pop. Cluj‐Napoca: Presa Universitară Clujeană, 2015, p. 81-92.
SEARA, I. R. A escrita como revelação do ‘eu’. Linha D'Água (Online), São Paulo, v. 31, n. 1, p. 73-89, jan.-abril 2018.
SEARA, I. R. Poder, persuasão, exibição: análise de mensagens de “influenciadoras” na rede social Instagram. Linha D’Água, v. 37, n. 1, p. 128-148, 2024.
SILVA, M. P. Realidade e ficção: para uma biografia epistolar de Fernando Pessoa. Lisboa: Assírio e Alvim, 2003.
TISSERON, S. Intimité et extimité. Communications, n. 88, p. 83-91, 2011. DOI: https://doi.org/10.3917/commu.088.0083.
VIOLA, I. Da (des)construção da dedicatória: análise linguístico-textual. Dissertação (Mestrado em Estudos de Língua Portuguesa) - Universidade Aberta, Portugal, 2014.
VIOLA, I.; SEARA, I. Da (des)construção da dedicatória: análise linguístico-textual. Textos Selecionados. XXX Encontro Nacional da Associação Portuguesa de Linguística. APL, 2015, p. 557-573. ISBN 978-989-97440-3-5.
ZETLAOUI, T. L’infuence du confinement sur l’exposition de soi en ligne. France Forum, n. 77, jul. 2020. Disponível em: https://www.institutjeanlecanuet.org/content/influence-du-confinement-sur-exposition-de-soi-en-ligne. Acesso em: 17 jan. 2025.
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2024 Mariana Silva Ninitas

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International License.
A aprovação dos manuscritos implica cessão imediata e sem ônus dos direitos de publicação para a Linha D'Água. Os direitos autorais dos artigos publicados pertencem à instituição a qual a revista encontra-se vinculada. Em relação à disponibilidade dos conteúdos, a Linha D'Água adota a Licença Creative Commons, CC BY-NC Atribuição não comercial. Com essa licença é permitido acessar, baixar (download), copiar, imprimir, compartilhar, reutilizar e distribuir os artigos, desde que para uso não comercial e com a citação da fonte, conferindo os devidos créditos autorais à revista.
Nesses casos, em conformidade com a política de acesso livre e universal aos conteúdos, nenhuma permissão é necessária por parte dos autores ou do Editor. Em quaisquer outras situações a reprodução total ou parcial dos artigos da Linha D'Água em outras publicações, por quaisquer meios, para quaisquer outros fins que sejam natureza comercial, está condicionada à autorização por escrito do Editor.
Reproduções parciais de artigos (resumo, abstract, resumen, partes do texto que excedam 500 palavras, tabelas, figuras e outras ilustrações) requerem permissão por escrito dos detentores dos direitos autorais.
Reprodução parcial de outras publicações
Citações com mais de 500 palavras, reprodução de uma ou mais figuras, tabelas ou outras ilustrações devem ter permissão escrita do detentor dos direitos autorais do trabalho original para a reprodução especificada na revista Linha D'Água. A permissão deve ser endereçada ao autor do manuscrito submetido. Os direitos obtidos secundariamente não serão repassados em nenhuma circunstância.