“Cartas serviçais e amigas”: A epistolografia em Correio da Roça, de Júlia Lopes de Almeida
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.2236-4242.v37i4p112-129Palavras-chave:
Epistolografia, Literatura brasileira, Júlia Lopes de Almeida, Correio da Roça, Escrita femininaResumo
Júlia Lopes de Almeida foi uma figura de grande relevância na história literária brasileira, uma mulher escritora de sucesso no início do século XX. Nos últimos 20 anos, a fortuna crítica busca compreender o estilo de escrita de Lopes de Almeida e seus posicionamentos no contexto da belle époque brasileira. Especificamente sobre a obra Correio da Roça (1913), objeto deste artigo, enquanto suas temáticas foram discutidas ao longo dos anos, sua estrutura recebeu menor foco. É sobre este aspecto crítico que este artigo propõe se debruçar, ao colocar em questão a denominação de ‘cartilha’ para o livro e, como alternativa, enfatizar a centralidade do gênero epistolar para a composição da obra e para a coesão dos diversos temas que a perpassam. Como base desta análise, valemo-nos de pesquisadores do gênero epistolar em sua especificidade literária como Altman (1985), Sussekind (2003), Diaz (2016), Haroche-Bouzinac (2016). Nesta leitura, propomos que estas missivas, inseridas na dinâmica epistolar deste romance, têm uma função para além da informativa, na medida em que fomentam nas correspondentes a busca pelo conhecimento pela observação do mundo e a autonomia de ação.
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