A oficina epistolográfica de João de Araújo Correia
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.2236-4242.v37i4p40-56Palavras-chave:
Reescrita, Cópia, Correspondência, EpistolárioResumo
O escritor João de Araújo Correia (1899-1985), reconhecido contista e cronista português, foi também um entusiástico epistológrafo. Durante cerca de quarenta anos guardou cópias das cartas que expediu, tanto manuscritas como dactilografadas. Nos doze volumes atualmente disponíveis da sua correspondência, encontram-se, em alguns casos, duas versões diferentes do mesmo texto. O objetivo deste estudo é perceber o processo de escrita do autor e os princípios que o orientam, tendo como suporte teórico os trabalhos de Jean-Michel Adam no domínio da linguística do texto. Verifica-se que a reescrita incide sobretudo na extensão do texto e na formulação linguística. Este processo é indissociável do tipo de carta em causa, decorrente do relacionamento entre o remetente e o destinatário, pela autoimagem que o primeiro quer transmitir ao segundo e aos eventuais leitores futuros, assim como pela imagem destes que aquele possui ou antecipa.
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