Paco Yunque de César Vallejo: metáfora da opressão colonial na América Latina
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.2236-4242.v38i2p474-492Palavras-chave:
Literatura peruana, Conto infantil, Colonização, Desigualdade social, CoronelismoResumo
Neste artigo, analisamos o conto (infantil) Paco Yunque, de César Vallejo, que aborda desigualdade social e abuso de poder na narrativa que trata do primeiro dia de aula de Paco, filho de trabalhadores humildes que enfrenta hostilidade dos colegas e desprezo do professor, devido à sua origem social. Fazemos uma análise crítica dos maus-tratos sofridos por Paco Yunque como uma metáfora do processo de colonização dos países hispano-americanos, em que o personagem principal representa o povo subjugado pelos colonizadores, enquanto Humberto Grieve, filho do prefeito, simboliza o colonizador que abusa do poder sobre os vulneráveis. A dinâmica entre os personagens reflete o coronelismo/caciquismo, evidenciando a persistência de práticas excludentes e antidemocráticas na sociedade contemporânea. Nesse ínterim, Vallejo denuncia a persistência da herança colonial na América Latina, perpetuando a exclusão social, a discriminação e a opressão histórica. Para a tessitura deste estudo, adotamos como procedimento metodológico a revisão crítica textual atrelada a textos bibliográficos secundários nacionais e estrangeiros, para examinar a escola como reflexo da injustiça social e da opressão. Fundamentamos a análise nos estudos de Vallejo (2020), Candido (2006), Oviedo (2001), Bellini (1997) e Ascencio (2013), entre outros. Conclui-se que Paco Yunque denuncia desigualdades estruturais e revela como a literatura expõe discursos que sustentam práticas antidemocráticas.
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