O plano de voo e o voo: roteiro e experimentação

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DOI :

https://doi.org/10.11606/issn.2596-2477.i34p161-170

Mots-clés :

cinema, processo de criação, roteiro, experimentação, cinema brasileiro contemporâneo.

Résumé

É recorrente entre os roteiristas a metáfora do roteiro como um plano de voo, um dos roteiristas a citar essa metáfora foi Karim Ainouz, em um encontro de roteiristas em Curitiba (Ficção Viva II, 2013), ao falar do roteiro como um “mapa de voo”. Nele, o cineasta enumerou alguns momentos em que o fato de escrever o roteiro o tornou, em diferentes estágios da criação dos filmes, mais livre para experimentar, aproximando o roteiro da experimentação artística dentro do contexto da criação coletiva do cinema. Outros cineastas como Eliane Caffé, Anna Muylaert e Hilton Lacerda também relatam, em diferentes registros de processo (entrevistas, relatos, debates abertos, textos de abertura de versões publicadas de roteiro...), um maior grau de experimentação e de abertura para o acaso no processo dos seus filmes, possibilitados em grande parte pelo trabalho com a escrita do roteiro. Diferentemente de pensar o roteiro como uma peça “engessadora”, eles falam do roteiro como uma peça “libertadora”, como um plano para alcançar maiores voos. Por fim relacionamos a experiência desses quatro cineastas à experiência do cineasta Cao Guimarães, que fala preferir escrever o roteiro no gesto da montagem. Com base em diferentes registros de processo desses cineastas, analisaremos aqui alguns relatos, roteiros e filmes, em uma perspectiva complementar, de modo a levantar questões acerca da potencialidade do roteiro como ferramenta de experimentação. Dão suporte teórico e metodológico a esta investigação as abordagens da complexidade, da cultura e da semiose peirceana via a crítica de processos de Cecília A. Salles e da narrativa como um expediente ontológico e, por isso, não exclusivo da linguagem verbal, conforme Paul Ricoeur.

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Biographie de l'auteur

  • Patricia Dourado, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo

    Doutoranda em Comunicação e Semiótica na PUC-SP (bolsa CAPES), com pesquisa em processo de criação no cinema, com foco em roteiro. Mestre pela mesma instituição e graduada em Letras pela UFC. Pesquisadora do grupo de pesquisa em Processos de criação (CNPq), coordenado pela Prof. Cecília A. Salles. Roteirista, editora de texto e revisora.

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Publiée

2018-08-08

Comment citer

Dourado, P. (2018). O plano de voo e o voo: roteiro e experimentação. Manuscrítica: Revista De Crítica Genética, 34, 161-170. https://doi.org/10.11606/issn.2596-2477.i34p161-170