Mundo histórico e liberdade especulativa em Mato seco em chamas

Autores

DOI:

https://doi.org/10.11606/issn.1982-8160.v19i2p313-335

Palavras-chave:

Mato seco em chamas, Teatro épico de Brecht, Encarceramento, Micropolítica, Quilombismo

Resumo

O artigo propõe uma análise estética e política de Mato seco em chamas (Adirley Queirós e Joana Pimenta). Investiga-se como a obra produz formas de emancipação especulativas face às dinâmicas de encarceramento que permeiam o universo social do Sol Nascente, periferia do Distrito Federal. Com o objetivo de compreender a relação entre a fábula e os predicados realistas do filme, conjuga-se a análise estilística com uma perspectiva interseccional sobre as dinâmicas de poder envolvendo gênero, raça e classe. A hipótese do artigo é a de que Mato seco em chamas fabula micropolíticas do cotidiano a partir da corporeidade e de práticas de resistência coletiva, mobilizando, para tal, uma forma fílmica fincada em procedimentos de contraste/contradição, em parcial diálogo com premissas do teatro épico brechtiano. 

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Biografia do Autor

  • Edson Pereira da Costa Júnior, Universidade Estadual de Campinas

    Pesquisador de pós-doutorado e professor participante temporário no Instituto de Artes da Unicamp (Fapesp 21/02448-5). Doutor em Meios e Processos Audiovisuais pela ECA-USP. 

  • Vitor Zan, Universidade Federal do Mato Grosso do Sul

    Professor do curso de Audiovisual da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul, UFMS. Doutor em estudos cinematográficos e audiovisuais pela Universidade Sorbonne-Nouvelle. 

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Publicado

2025-08-31

Edição

Seção

Em Pauta/Agenda

Como Citar

Costa Júnior, E. P. da, & Zan, V. . (2025). Mundo histórico e liberdade especulativa em Mato seco em chamas. MATRIZes, 19(2), 313-335. https://doi.org/10.11606/issn.1982-8160.v19i2p313-335