Autoria de mulheres na literatura de horror: denúncia e acerto de contas em obras do Brasil e da Espanha
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.2525-8133.opiniaes.2024.224701Palavras-chave:
Horror, Literatura fantástica, Literatura brasileira, Literatura espanholaResumo
Adotando a perspectiva do horror como gênero autônomo, constituído de estratégias, procedimentos e temas que visam à produção de sentimentos relacionados ao termo horrere (do latim: estremecer, arrepiar), o artigo pretende investigar nuances da autoria de mulheres neste campo, por meio de duas frentes: denúncia e acerto de contas. Para tanto, o texto se constitui de uma seção dedicada a conceituar o horror como gênero literário, bem como suas possíveis intersecções com o que Teresa López-Pellisa (2022) denominou o fantástico inapropriado/inapropriável. A seguir, na seção denominada “Ataque: horror realista”, serão contrapostas duas narrativas curtas cujo tema é o aprisionamento de corpos femininos: os contos “Venha ver o pôr do sol”, da brasileira Lygia Fagundes Telles, e “Hablar con viejas”, da espanhola Cristina Fernández Cubas. E na seção “Contra-ataque: horror e fantástico”, será apresentado o acerto de contas, cuja linha mestra será o romance Cupim (2024), da espanhola Layla Martínez, em diálogo com o conto “O título é um grito”, da brasileira Nikelen Witter. Em ambas as obras, busca-se demonstrar como o revide só ocorre porque tanto a racionalidade quanto o sistema patriarcal são colocados em xeque pelas possibilidades do fantástico – sempre com vistas ao arrepio inerente ao horror.
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