“Amar odiando”: skandalon e a volúpia do obstáculo na Crônica da casa assassinada, de Lúcio Cardoso

Autores

DOI:

https://doi.org/10.11606/issn.2525-8133.opiniaes.2025.232671

Palavras-chave:

Crônica da casa assassinada, Teoria Mimética, Lúcio Cardoso

Resumo

A Crônica da casa assassinada é considerada pela crítica literária a obra máxima de Lúcio Cardoso. A família Meneses, herdeira de uma linhagem aristocrática e escravocrata, no interior de Minas Gerais, na fictícia Vila Velha, sucumbe, na obra, à guisa de seu próprio orgulho, representado na angústia dos habitantes da Chácara e na sua derrocada material. Este estudo objetiva interpretar as relações entre os personagens centrais do referido romance, aproximando a noção cardosiana de “amar odiando”, presente no capítulo “Depoimento de Valdo (IV)”, aos apontamentos de René Girard (1990; 2004; 2008; 2009a; 2009b; 2011a; 2011b; 2012), a respeito do conceito de desejo mimético, compreendido, neste trabalho, a partir da noção evangélica de skandalon, definida pelo teórico francês como “pedra de tropeço” (Girard, 2012, p. 39). Assim, as rivalidades entre Ana, Nina, Valdo, Demétrio e Timóteo conduzem ao estabelecimento de duplos miméticos, que reforçam, como espelhos, a volúpia do obstáculo constitutiva do mimetismo. Na Crônica da casa assassinada, tal mecanismo primordial da formação das culturas humanas, segundo Girard (2008), cuja estrutura paradoxal é o cerne do romance de Lúcio Cardoso, torna-se decisivo para o entendimento do drama dos Meneses no “Pós-escrito numa carta de Padre Justino”, último capítulo do romance. 

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Biografia do Autor

  • Thiago Machado, Universidade Federal do Pará

    Graduado em Letras - Língua Portuguesa pela Universidade Federal do Pará, campus -  Bragança. Mestrando em Letras, na área de concentração de Estudos Literários, pelo  Programa de Pós-Graduação em Letras (PPGL), na instituição referenciada. Bolsista  CAPES. Membro do Núcleo de Estudos Sefarditas da Amazônia (NESA) e do Ecos Sefarditas: Judeus na Amazônia. Um dos autores/organizadores do Catálogo dos  Escritores Judeus da Amazônia. Integra o corpo editorial da Revista A palavrada,  periódico da Faculdade de Letras (FALE), campus de Bragança. 

  • Alessandra Conde, Universidade Federal do Pará

    Doutora em Letras e Linguística pela UFG. Estágio pós-doutoral (2021-2022) sobre os escritores judeus na Amazônia, sob a supervisão da Profa. Dra. Lyslei Nascimento (UFMG). Professora Adjunta da UFPA, vinculada à Faculdade de Letras (FALE) do Campus de Bragança, PA. Coordenadora do projeto de pesquisa “Ecos sefarditas: judeus na Amazônia” e do “Núcleo de Estudos Sefarditas da Amazônia” (NESA). Professora dos Programas de Pós-graduação PPGL e PPLSA (UFPA).

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Publicado

2025-12-31

Como Citar

Machado, T., & Conde, A. (2025). “Amar odiando”: skandalon e a volúpia do obstáculo na Crônica da casa assassinada, de Lúcio Cardoso. Opiniães, 27, 331-352. https://doi.org/10.11606/issn.2525-8133.opiniaes.2025.232671