n. 28 (2026): 80 anos de crítica rosiana: revisões e prospecções
Sagarana, de João Guimarães Rosa, completa 80 anos neste 2026. A longevidade, no entanto, não tira o sabor de novidade e os comentários de admiração que o livro ainda desperta. Se no seu lançamento, em 1946, arrancou elogios da crítica especializada, alçando-o à condição de um novo clássico, ainda hoje continua a despertar interesse e novas leituras, mantendo-se como um campo aberto para novos leitores e leitoras.
Corpo de Baile (1956) foi lançado dez anos depois. Constituído por lunáticos, crianças, vaqueiros, facínoras e todo um elenco fascinante de marginalizados e donos-do-poder que dançavam pelo mesmo sertão do seu livro de estréia, compreendendo sete novelas: “Campo Geral”, “Uma história de Amor”, “Recado do Morro”, “Cara-de-bronze”, “Estória de Lélio e Lina”, “Dão-Lalalão”, “Buriti”. Posteriormente, divididos em 3 volumes: Manuelzão e Miguilim (“Campo Geral” e “Uma Estória de Amor”); No Urubuquaquá, no Pinhém (“O Recado do Morro”, “Cara-de-Bronze” e “A Estória de Lélio e Lina”) e Noites do Sertão (“Dão-Lalalão (o Devente)” e “Buriti”). Narrativas que perseguem a mesma originalidade do homem do sertão mineiro, ou, do sertão rosiano, com suas intrínsecas paisagens.
Ainda em 1956, num esforço descomunal, Guimarães Rosa lançava o romance Grande sertão: veredas, que seria o oitavo conto de Corpo de Baile, mas que foi crescendo a ponto de se transformar em um “cetáceo” de quase 600 páginas. O problema a ser observado em Grande sertão: veredas, segundo Antonio Candido, consistia no: “dilaceramento de um homem tomado entre o bem e o mal, debatendo sem repouso a validade da sua conduta” (Candido, 2012, p. 9). E, que no plano formal, apresentava como traço fundamental o caráter inventivo: “[...] o jorro de imaginação criadora na linguagem, na composição, no enredo, na psicologia” e sustentado pela “absoluta confiança na liberdade de inventar” (Candido, 2012, p. 111); A feição gigantesca do romance se estendia também para a fortuna crítica amealhada, que nos anos 2000, acumulava mais de 1.500 estudos acadêmicos apenas sobre Grande sertão: veredas, enquanto a obra inteira contabilizava cerca de 2.500 trabalhos nas mais variadas áreas do conhecimento (Bolle, 2004, p. 19). Hoje, 26 anos após este levantamento, seus números alcançaram patamares ainda mais impressionante.
A presente edição da Revista Opiniães não podia deixar de prestar uma homenagem a este autor com uma reavaliação de sua obra. Para tal, nos detemos na fortuna crítica de Guimarães Rosa, resgatando as principais discussões entre os críticos da época. Simultaneamente, procuramos olhar para onde apontam os novos horizontes da crítica literária acerca da obra e do escritor de Cordisburgo.