Tempo e memória: a desnarração no romance A chave de casa, de Tatiana Salem Levy
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.2525-8133.opiniaes.2025.238392Palavras-chave:
Tatiana Salem Levy, Desnarração, Romance pós-moderno brasileiro, AutoficçãoResumo
O estranhamento provocado nos leitores pelo romance autoficcional A chave de casa, da escritora brasileira contemporânea Tatiana Salem Levy, pode ser explicado em grande parte pela teoria da desnarração, típica dos grandes romances pós-modernos, conforme define seu propositor, o narratologista norte-americano Brian Richardson. Tal estratégia envolve o uso inesperado e inovador de aspectos clássicos da narração, como o tempo da narrativa e a memória do narrador e tem sido pouco estudada em nosso país. O presente estudo se propõe a analisar como a construção altamente elaborada do romance em questão com base nestas e em outras questões-chave da narrativa autoficcional produz um texto instigante e alinhado às maiores tendências da literatura mundial contemporânea. Acima de tudo, a obra de Levy desafia o leitor a se colocar perante a nova realidade caótica da pós-modernidade, surgida com o advento do lugar de fala das “minorias” até recentemente ignoradas, e que gera/reflete as múltiplas crises de identidade da atualidade.
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