Revolução das Flores: a representação dos patriarcas e da escravidão no discurso abolicionista de Sousândrade
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.2525-8133.opiniaes.2025.238633Palavras-chave:
Abolicionismo, Sousândrade, RepublicanismoResumo
Este artigo tem como objetivo principal analisar as articulações políticas e poéticas em O Guesa (188[7]) de Sousândrade, obra que, sob o signo do senso de missão romântico, se configura como projeto civilizatório republicano e antiescravagista. Através da análise de versos selecionados, demonstra-se como a voz narrativa estabelece a distinção entre os patriarcas escravagistas e outras figuras rurais, enquanto, simultaneamente, associa o sistema escravista à estrutura do Estado monárquico. Referenciando momentos centrais para o movimento abolicionista, Sousândrade constrói sua defesa da liberdade dos escravizados por meio de metáforas que envolvem flores e jardins. Por fim, a soma desses componentes caracteriza o abolicionismo sousandradino como etapa fundante de seu projeto republicano.
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