Quando o horror invade o espaço da casa: leitura dos contos “Até o fim” e “Azul”, da escritora brasileira Karen Alvares
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.2525-8133.opiniaes.2025.239072Palavras-chave:
Literatura brasileira contemporânea, Horror, Elementos espaciais, CasaResumo
Desde o período colonial até hoje, autoras como Nísia Floresta, Maria Firmina dos Reis, Clarice Lispector e Conceição Evaristo desafiaram o silêncio imposto às mulheres, criando novas formas narrativas que questionam cânones e expõem violências de gênero. Este artigo, portanto, analisa a escrita feminina brasileira como um ato político e estético de resistência contra estruturas patriarcais na literatura, em especial na literatura de horror. Muitas escritoras latino-americanas, na atualidade, releem o gênero em veículo para discutir feminicídios, abusos e opressões estruturais. Os contos "Até o Fim" e”Azul”, da escritora brasileira Karen Alvares e que compõem a coletânea Horror em Gotas (2013) exemplificam essa tendência. O arcabouço teórico utilizado para leitura dos contos objetiva analisar como a literatura feminina subverte espaços tradicionalmente associados à proteção (como o lar) em cenários de terror. Conclui-se que a produção literária das mulheres no Brasil e na América Latina transcende o aspecto estético para se tornar um ato de resistência, usando o horror como espelho crítico das violências reais sofridas pelas mulheres na região. O arcabouço teórico cita leituras de Hannah Arendt (2007), Brunella Vasconcellos Alves (2017), Simone de Beauvoir (1980), Fred Botting (2025) e outros devidamente referenciados ao longo do artigo.
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