Espaços de desigualdade: representações do âmbito doméstico no romance Casa de família, de Paula Fábrio
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.2525-8133.opiniaes.2026.239707Palavras-chave:
Literatura brasileira, Espaço doméstico, Trabalho do cuidado, Paula FábrioResumo
Este artigo analisa o romance Casa de família (2024), da escritora paulistana Paula Fábrio, com foco nas representações do espaço doméstico. Ambientada principalmente no período da redemocratização brasileira, a narrativa é centrada na história de uma família de classe média e nas funcionárias que vivem no mesmo espaço. Com base nas contribuições teóricas de Elódia Xavier (2012), Angela Davis (2016) e Silvia Federici (2021), o estudo reflete sobre como o espaço do lar expressa opressões históricas e opera como indicador de status social. Nesse sentido, argumenta-se que, no romance, a casa constitui um espaço político no qual as contradições sociais brasileiras se tornam visíveis por meio da permanência de relações desiguais. A análise considera ainda os recursos formais empregados na construção dessas relações, sobretudo a fragmentação temporal e o contraste entre diferentes vozes narrativas. A partir da análise, infere-se que o romance apresenta múltiplas perspectivas sobre o ambiente doméstico, questionando a centralidade do olhar dos empregadores acerca dos acontecimentos.
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