Árvores que conduzem em ‘São Marcos’, de Guimarães Rosa, e ‘A árvore mais sozinha do mundo’, de Mariana Carrara
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.2525-8133.opiniaes.2026.245624Palavras-chave:
Ecocrítica literária, Guimarães Rosa, Mariana Carrara, Narradores não humanosResumo
O presente artigo tem como objetivo revisitar a obra “São Marcos”, de Guimarães Rosa, publicada pela primeira vez em 1946, no livro Sagarana. A análise aqui focaliza a centralidade da natureza na construção do enredo, com ênfase no papel das árvores como instâncias de orientação que conduzem o protagonista para fora de uma cegueira simultaneamente física e simbólica. Em chave crítica contemporânea, o estudo articula essa leitura às contribuições da fenomenologia bachelardiana e da ecocrítica literária, campo consolidado a partir do final do século XX, que investiga as relações entre literatura e meio ambiente e questiona o antropocentrismo interpretativo. A partir desse enquadramento teórico, estabelece-se um diálogo comparativo com a obra recente A árvore mais sozinha do mundo, de Mariana Carrara, publicada em 2024, cuja narrativa atribui à vegetação a função de voz narradora que, ao invés de guiar os personagens, orienta o leitor sobre o enredo de uma família. Busca-se, assim, demonstrar como, em contextos históricos distintos, as duas obras constroem uma poética do vegetal que desloca a natureza do estatuto de cenário para o de agente de experiência, percepção e sentido, permitindo uma releitura das relações entre sujeito, linguagem e mundo mais-que-humano.
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