Outro sertão, outro mar: arquivo, memória e a experiência de Guimarães Rosa na Alemanha Nazista

Autores

DOI:

https://doi.org/10.11606/issn.2525-8133.opiniaes.2026.246487

Palavras-chave:

Guimarães Rosa, Outro Sertão, Material de arquivo, Memória, Intermidialidade

Resumo

O presente artigo investiga como o documentário Outro Sertão (2013), de Adriana Jacobsen e Soraia Vilela, reelabora audiovisual e historicamente a experiência de João Guimarães Rosa na Alemanha nazista por meio da mobilização de materiais de arquivo. A partir de cartas, diários, entrevistas, documentos diplomáticos, registros audiovisuais e trechos do conto “O mau-humor de Wotan”, inspirado nessa vivência, o filme constrói uma narrativa que articula memória, história e criação literária. A análise demonstra que os materiais de arquivo são empregados não apenas como evidências históricas, mas também como elementos estruturantes da narrativa, tensionando as relações entre documento, memória e literatura. Nesse processo, o documentário revisita a atuação de Rosa na Alemanha durante os primeiros anos da Segunda Guerra Mundial, destacando os dilemas éticos enfrentados pelo escritor-diplomata e os conflitos que marcam sua permanência naquele contexto. Em diálogo com Jacques Le Goff, Leonor Arfuch, Jaime Ginzburg e Leyla Perrone-Moisés, argumenta-se que Outro Sertão articula registros de naturezas distintas para evidenciar a complexidade histórica, ética e subjetiva que atravessa a trajetória de Rosa como vice-cônsul em Hamburgo.

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Biografia do Autor

  • Marthina de Alexandri Baldwin, Universidade Federal de Santa Catarina

    Bacharela em Cinema pela Universidade Federal de Santa Catarina. Mestranda com bolsa Capes CNPq no Programa de Pós-Graduação em Literatura da mesma instituição, na Linha de Arquivo, Tempo e Imagem, com foco no registro analógico familiar e suas potencialidades para o estatuto da memória e da identidade na pós-modernidade. Na graduação, foi bolsista de IC Pibic/CNPq durante os ciclos 2019/2020 e 2020/2021, com pesquisas voltadas para doenças, cenários pandêmicos e imaginário social, compreendendo suas reverberações nos campos linguístico e artístico. Atuante no setor audiovisual desde 2018, atua como diretora, roteirista e montadora. Sua produção transita entre a escrita acadêmica e a realização cinematográfica, com projetos centrados em memória, relações familiares, identidade e subjetividade femininas, além de contextos de crises políticas e sanitárias. Dirigiu e roteirizou o curta-metragem "Palavras Cruzadas", uma homenagem ao avô e todas as vítimas derivadas da pandemia de Covid-19, premiado nacionalmente em festivais como o 14 Festival Internacional de Balneário Camboriú. Seu projeto audiovisual mais recente é a direção cinematográfica do curta-metragem Quarto Ato, contemplado pelo Prêmio Catarinense de Cinema 2024 - Edição LPG, em fase de pós-produção. 

  • Marcio Markendorf, Universidade Federal de Santa Catarina

    Possui Graduação em Letras pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (2003) e Doutorado direto em Literatura, concentração em Teoria da Literatura, pela Universidade Federal de Santa Catarina (2009). Concluiu estágio pós-doutoral em Estudos de Literatura na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (2024). Atualmente é Professor Associado do Departamento de Artes da Universidade Federal de Santa Catarina, lecionando no Curso de Bacharelado em Cinema. É Professor Permanente do Programa de Pós-graduação em Literatura da Universidade Federal de Santa Catarina. Atuou como coordenador do Programa de Pós-graduação em Literatura (2019-2020). Está vinculado ao Grupo de Pesquisa ''Estudos do Gótico'' e ao GT da ANPOLL ''Vertentes do Insólito Ficcional''. Tem experiência na área de Letras e Cinema, com ênfase em Teoria da Literatura, Escrita Criativa e Estudos Culturais, pesquisando e produzindo material bibliográfico acerca e narrativas de gênero, com ênfase em estudos sobre o horror e a representação das doenças na ficção. É autor da novela literária ''Soy loca, Lorca, feito um chien no chão'' (Urutau,2019); do livro de mininarrativas ''Microcontando'' (Caiaponte Edições, 2019), projeto colaborativo com Adriano Salvi, financiado pela Lei de Incentivo à Cultura de Balneário Camboriú; do volume de minicontos ''Ainda estavam lá'' (Edição do autor, 2021), projeto em colaboração com André Ricardo Aguiar e Adriano Salvi, financiado com recursos do Prêmio Elisabete Anderle, Fundação Catarinense de Cultura; do livro de contos ''A lua fantasma'' (Hecatombe, 2023); do livro de contos ''Os sonhos perturbados de Juliano Adrián'' (Edição do autor, 2023), financiado pelo Fundo Municipal de Cultura de Florianópolis; do livro-objeto multiautoral ''Imagenações'' (Edição do autor, 2024), financiado pelo Prêmio Elisabete Anderle de Estímulo à Cultura.

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Publicado

2026-09-06

Como Citar

Baldwin, M. de A., & Markendorf, M. (2026). Outro sertão, outro mar: arquivo, memória e a experiência de Guimarães Rosa na Alemanha Nazista. Opiniães, 28, 33-48. https://doi.org/10.11606/issn.2525-8133.opiniaes.2026.246487