O discurso da interdição em Crônica da casa assassinada
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.2525-8133.opiniaes.2020.169443Palavras-chave:
Crônica da casa assassinada, Discurso da interdição, Espacialização, SegregaçãoResumo
Neste artigo, discute-se como se manifesta o discurso da interdição no romance Crônica da casa assassinada, de Lúcio Cardoso. A partir da oposição fundamental natureza vs. cultura, procura-se demonstrar que as relações não-prescritas são sancionadas pragmaticamente com a segregação dos atores a determinados espaços. Instauram-se, portanto, na narrativa duas ordens de espaço: o das relações prescritas e o das não-prescritas. No romance, as relações não-prescritas são as homossexuais e o incesto, sendo este considerado interdito. Os espaços de segregação, levando-se em conta a categoria verticalidade, correspondem ao baixo. Na articulação alto vs. baixo, o primeiro é o espaço da cultura, das coerções sociais, das relações prescritas; o segundo é o espaço da natureza, das pulsões individuais, das relações não-prescritas. A fundamentação teórica é a Semiótica de linha francesa e a metodologia consistiu num recorte do romance em que se selecionaram sujeitos que, em seus percursos narrativos, buscam entrar em conjunção com objetos-valor, considerados interditos pelo destinador social.
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