Sob os pés, meu corpo inteiro (2018), de Márcia Tiburi, e A nova ordem (2019), de Bernardo Kucinski: leituras distópicas do Brasil contemporâneo
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.2525-8133.opiniaes.2024.221459Palavras-chave:
Literatura Brasileira Contemporânea, Distopia, Novelas de intervenção, Democracia em criseResumo
Neste artigo, analisamos comparativamente dois romances distópicos brasileiros contemporâneos, A nova ordem (2019), de Bernardo Kucinski, escrito antes da pandemia de Covid-19 e logo após o início do governo de Jair Bolsonaro, figurando caricaturalmente o destino de um país sequestrado por forças antidemocráticas e movido por um projeto nacional liderado pelos interesses de militares, evangélicos e do agronegócio; e Sob os pés, meu corpo inteiro (2018), de Márcia Tiburi, em que, através de um diálogo entre o passado ditatorial e a ascensão da extrema direita ao poder, figura uma São Paulo assolada pela devastação ambiental e aterrorizada pela violência de um governo totalitário. A partir de diferentes autores que estudam o fenômeno do crescimento do gênero distópico na contemporaneidade e suas causas, observamos que ambas as obras analisadas poderiam ser consideradas novelas de intervenção (como Kucinski define seu romance), visto que, frente a ascensão de um governo com características autocráticas no país, os romances se utilizam amplamente de elementos do mundo extratextual para aproximar os enredos do presente e do cotidiano vivenciados pelos leitores e, assim, contextualizar o teor crítico da narrativa e promover uma reflexão a materialidade histórica em que vivemos.
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