Marco Zero de Oswald de Andrade: uma tentativa de representação da modernidade periférica
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.2525-8133.opiniaes.2025.239661Palavras-chave:
Oswald de Andrade, Patriarcado, Casa-grande, Romance de 1930Resumo
O artigo propõe uma leitura crítica do romance Marco Zero, de Oswald de Andrade, a partir da articulação entre a representação da modernidade periférica brasileira e o papel simbólico da casa enquanto espaço socialmente configurado. Argumenta-se que, embora o autor busque estruturar um romance mural voltado à crítica da realidade social dos anos 1930, a narrativa é continuamente atravessada pela permanência da ordem patriarcal. A casa-grande, símbolo da estrutura fundiária e da autoridade patriarcal, exerce influência decisiva sobre a constituição das subjetividades e sobre os destinos das personagens. Nesse sentido, a modernidade representada em Marco Zero aparece como experiência ambígua: marcada pela coexistência entre valores arcaicos e promessas de transformação, mas sem ruptura efetiva com o passado. Por meio da análise de personagens como Jango da Formosa e do Major Dinamérico Klag Formoso, demonstra-se que a modernidade encenada por Oswald de Andrade não realiza a emancipação do sujeito moderno, mas revela os limites estruturais de uma nação que permanece presa à lógica da casa-grande.
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