Para ir à lua: a criança e o brincar na linguagem a partir da escrita poética de Cecília Meireles
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.2525-8133.opiniaes.2025.239712Palavras-chave:
Cecília Meireiles, Poema, Brinquedo, Ato de Brincar, Relações DialógicasResumo
A poesia é, transcendendo definições teóricas, uma práxis que se estabelece na composição de um todo de sentidos que possibilita um jogo plurissemiótico eficiente com a linguagem, com a artesania da palavra, tanto para quem a lê quanto para quem a produz. Partindo desse pressuposto, neste artigo, escolheu-se o poema Para ir à lua, da escritora brasileira Cecília Meireles, com o objetivo de analisá-lo, sob à luz da abordagem dialógica da linguagem, utilizando como principais vozes teóricas Mikhail Bakhtin (2015, 2016) e Valentin Volóchinov (2017, 2019). Almeja-se, pois, investigar a construção linguístico-discursiva do texto poético elaborado pela autora como um brinquedo, relacionando-o ao ato de brincar. Por meio de uma aproximação profícua, assentada nas fronteiras que separam as áreas do saber, entre a linguística e a literatura, foi possível evidenciar que o poema é, muito além de um objeto estético, um convite para participar de um jogo (ou de uma brincadeira) interminável de ressignificações e redescobertas sobre o mundo da vida.
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