A “comodificação da Outridade” nas organizações: diversidade como fetiche no capitalismo canibal
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.2238-2593.organicom.2025.240232Palavras-chave:
Comunicação organizacional, Diversidade, Alteridade, Ética da diferençaResumo
O artigo discute criticamente a captura da diversidade pelas engrenagens do capitalismo tardio, nas quais a Outridade é estetizada e convertida em recurso simbólico esvaziado de densidade política. Argumenta-se que a simples ampliação da representatividade não rompe com estruturas de dominação, funcionando antes como fetiche inclusivo. Sustenta-se, por fim, o deslocamento para a diferença como fundamento ético capaz de instaurar práticas comunicacionais emancipatórias e instituir novos imaginários de justiça social e transformação cultural.
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