Democracia como devir: as tensões discursivas na história do campo educacional
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.2176-8099.pcso.2025.241277Palavras-chave:
Currículo, Democracia, Desconstrução, História da Educação, Teoria do DiscursoResumo
Este artigo propõe uma reflexão sobre as promessas de uma democracia comum a todos, recorrendo aos aportes pós-estruturais e pós-fundacionais de Jacques Derrida, Ernesto Laclau e Chantal Mouffe. Argumenta-se que a associação normativa entre educação e democracia, amplamente difundida no campo educacional, opera como um projeto de mundo que, ao pretender ser universal, restringe a emergência de sujeitos e diferenças não previamente imaginadas. A partir da desconstrução derridiana e da teoria do discurso de Laclau e Mouffe, discute-se a precariedade das tentativas de fixação de sentidos de democracia, compreendida como um “significante vazio” em disputa constante. Defende-se, portanto, a necessidade de tensionar concepções essencialistas que buscam estabilizar projetos educacionais homogêneos, revelando seus efeitos de exclusão e violência simbólica. Em contraposição, investe-se na noção de democracia radical ou pluralista, capaz de reconhecer antagonismos e sustentar práticas agonísticas como condição de existência democrática.
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