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Artigos
Política padrão de seção
Polícia, repressão e sociabilidade contemporânea: práticas, representações e dinâmicas institucionais
As instituições policiais – militares, civis, penais, federais, guardas municipais e outras – constituem um objeto relevante de investigação sociológica, dada a centralidade que ocupam na mediação de conflitos sociais, na regulação da vida cotidiana e na conformação das relações entre Estado e sociedade. Sua atuação está vinculada à preservação da ordem social vigente e assume diferentes formas e funções ao longo do tempo, moldadas por contextos históricos, econômicos, políticos e culturais específicos.
Na contemporaneidade, marcada pela predominância de políticas econômicas de orientação neoliberal, observa-se a intensificação de práticas repressivas de baixo custo, associadas a medidas de austeridade e à crescente precarização de condições de vida. A polícia, enquanto parte do aparato estatal, desempenha papel significativo nesse processo, atuando não apenas na contenção física de conflitos, mas também na produção e difusão de representações e discursos que conferem legitimidade à sua ação.
Para além do plano operacional, é importante considerar o plano simbólico: a aceitação social de determinadas formas de uso da força policial está relacionada a representações disseminadas no cotidiano. Essas representações, construídas e reproduzidas por diferentes meios de comunicação e instituições sociais, tendem a naturalizar a violência contra determinados segmentos da população e a reforçar narrativas como a do “bandido bom é bandido morto”. Tal construção discursiva influencia a percepção pública sobre a figura do “inimigo interno” e pode mobilizar apoio político e social para políticas de segurança de caráter preventivo que, em muitos contextos, resultam em elevados índices de letalidade policial.
O presente dossiê busca reunir contribuições que explorem, de forma crítica e plural, a complexidade das práticas, representações e estruturas organizacionais das instituições policiais, bem como suas interações com diferentes segmentos e organizações sociais.
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