Fragmentação da Identidade Negra no Verbete Pardo: Uma Análise Crítica do Discurso das definições dos dicionários de língua portuguesa
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.2176-8099.pcso.2026.246227Palabras clave:
Fragmentação da Identidade Negra no Verbete Pardo: Uma Análise Crítica do Discurso das definições dos dicionários de língua portuguesaResumen
O artigo analisa como os dicionários brasileiros de língua portuguesa constroem discursivamente a identidade parda, evidenciando processos de apagamento da negritude e de reforço do embranquecimento. A partir dos Estudos Críticos do Discurso e da Análise do Discurso Textualmente Orientada, examinam-se definições de pardo em dez dicionários publicados entre as décadas de 1930 e 2020. As acepções recorrentes — como “branco sujo”, “mulato” e “branco da Baía” — revelam avaliações negativas, hierarquizações raciais e pressuposições ideológicas que reproduzem lógicas eugenistas, o mito da democracia racial e a naturalização da branquitude como norma. O estudo demonstra que tais definições fragmentam a identidade negra ao dissociar o pardo da negritude e aproximá-lo da branquitude, contribuindo para a manutenção de desigualdades raciais e para o epistemicídio linguístico e cultural. Conclui-se que os dicionários, enquanto instrumentos de legitimação do saber linguístico, participam da reprodução de discursos que enfraquecem a identidade negra no Brasil.
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