Miscigenânsia: subjetividade, raça e experiência miscigenada no pensamento social brasileiro
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.2176-8099.pcso.2026.246232Palabras clave:
Miscigenânsia, Raça, Subjetividade, Identidade racial, Pensamento social brasileiroResumen
Este artigo discute a miscigenânsia como categoria analítica para compreender a experiência social e subjetiva de sujeitos miscigenados no Brasil. O conceito, proposto por Maria Cilene Lucas Vieira, emerge da articulação entre experiência vivida, memória e reflexão teórica, dialogando com a noção de escrevivência elaborada por Conceição Evaristo. A análise parte do debate sobre a mestiçagem no pensamento social brasileiro, especialmente nas interpretações de Gilberto Freyre, cuja leitura da formação nacional valorizou a mistura racial como elemento constitutivo da identidade brasileira. Em contraponto, mobilizam-se as contribuições de Florestan Fernandes e Kabengele Munanga, que evidenciam a permanência de hierarquias raciais na sociedade brasileira. O diálogo com Frantz Fanon e com a noção de sofrimento ético-político formulada por Bader Sawaia permite compreender os efeitos subjetivos da racialização. A reflexão aproxima-se também da perspectiva crítica de Paulo Freire, ao compreender a nomeação dessas experiências como parte de um processo de conscientização e leitura crítica das relações raciais na sociedade brasileira. Argumenta-se que a miscigenânsia contribui para evidenciar tensões identitárias e ampliar o debate sobre raça, pertencimento e reconhecimento social no Brasil contemporâneo.
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