A performance do tempo no Bumba Meu Boi: conexões entre o Boi e o Miolo
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.1676-6288.bjlas.2026.236343Palavras-chave:
Antropologia das populações afro-americanas, performance social, festa popular, bumba-meu-boiResumo
Este artigo analisa como a performance do Bumba meu boi do Maranhão atualiza, no presente, diferentes temporalidades, articulando história, mito e ritual por meio das relações entre corpos, materiais e formas expressivas. O argumento parte da relação entre o boi, corpo fabricado que ocupa o centro da brincadeira, e o miolo, brincante que o habita e movimenta, para compreender como essa conexão produz modos particulares de presença, agência e experiência do tempo. A análise articula relatos históricos e de viagem, literatura especializada, registros iconográficos e dados etnográficos produzidos durante pesquisa de campo em Cururupu, Maranhão. Argumenta-se que a performance não apenas representa ou rememora o passado, mas o faz operar no presente por meio de corpos, objetos, gestos, sons e ciclos rituais. A relação entre boi e miolo evidencia, ainda, uma instabilidade produtiva nas fronteiras entre humano e não humano, corpo e artefato, vida e morte. Ao acompanhar essas transformações, o artigo propõe compreender o Bumba meu boi como uma prática em que diferentes temporalidades não apenas coexistem, mas são continuamente atualizadas, transmitidas e transformadas.
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