Memória como epílogo e prólogo: da interrupção do devir ao luto por suicídio
DOI:
https://doi.org/10.1590/0103-6564e245607Palavras-chave:
suicídio, luto, narrativa, memória, devirResumo
Este ensaio teórico propõe uma reflexão sobre a morte de si e o luto por suicídio. Em um primeiro momento, a discussão sobre o suicídio se organiza em torno da noção de epílogo que, para além de sentido de conclusão, fechamento ou explicação para o ato, representa a ruptura do devir, inaugurando outra temporalidade: a da memória. Na sequência, introduzimos a ideia de prólogo para descrever a vida de pessoas profundamente marcadas pela perda por suicídio, necessitando reconfigurar a própria existência a partir da ausência. Nesse sentido, propomos compreender o ato suicida como a interrupção da vida biológica que, no entanto, não implica o fim da dimensão biográfica. Esta, por sua vez, se inscreve na memória dos enlutados fomentando a elaboração simbólica da perda, denotando um marco inaugural e epílogo na vida daqueles que permanecem.
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