Lugar de fala: colaborações para uma ciência feminista, antirracista e decolonial
DOI:
https://doi.org/10.1590/0103-6564e240155Palavras-chave:
feminismo, antirracismo, colonialismo, ciênciaResumo
Há muito a ciência alicerça discursos que promovem avanços e recuos na construção de cidadania. Contudo, a psicologia, ancorada em princípios éticos, é convocada ao compromisso de orientar seu saber para a promoção de justiça. Este trabalho objetiva: localizar argumentos que destaquem a relevância da obra O que é lugar de fala?, de Djamila Ribeiro, para pensar ciência; compreender como colonialidade, epistemicídio e branquitude orientam a percepção do que é saber e ciência na cultura ocidental; e reconhecer a relevância da psicologia como campo científico potente para a transformação social. Discutimos no trabalho a ideia de ciência a partir da perspectiva apresentada no livro O que é lugar de fala?. A pesquisa teórica denuncia que a lógica branca apaga a produção de saber de pessoas não brancas, perdendo seu potencial colaborativo para a equidade social.
Downloads
Referências
Adichie, C. N. (2019). O perigo de uma história única (J. Romeu, trad.). São Paulo, SP: Companhia das Letras.
Almeida, F. S. (2022). Epistemicídio. In C. Landulfo & D. Matos (Orgs.), Suleando conceitos e linguagens: decolonialidades e epistemologias outras (pp. 163-168). Campinas, SP: Pontes Editores.
Ballestrin, L. (2013). América Latina e o giro decolonial. Revista Brasileira de Ciência Política, (11), 89-117. doi: 10.1590/S0103-33522013000200004
Baptista, L. (2022). Colonialidade da linguagem. In C. Landulfo & D. Matos (Orgs.), Suleando conceitos e linguagens: decolonialidades e epistemologias outras (pp. 51-58). Campinas, SP: Pontes Editores.
Beauvoir, S. (2000). O segundo sexo. Rio de Janeiro, RJ: Nova Fronteira. (Trabalho original publicado em 1949)
Camino, L., & Ismael, E. (2004). A psicologia social e seu papel ambíguo no estudo da violência e dos processos de exclusão social. In L. de Souza & Z. Araújo (Eds.), Violência e práticas de exclusão (pp. 43-56). São Paulo, SP: Casa do Psicólogo.
Colling, L. (2015). Que os outros sejam o normal. Tensões entre movimento LGBT e ativismo queer. Salvador, BA: EDUFBA.
Collins, P. H. (2016). Aprendendo com a outsider within: a significação sociológica do pensamento feminista negro. Sociedade e Estado, 31(1), 99-127. doi: 10.1590/S0102-69922016000100006
Resolução CFP nº 010/2005. (2005, 27 de agosto). Código de Ética Profissional do Psicólogo. Brasília, DF: Conselho Federal de Psicologia. Recuperado de https://site.cfp.org.br/wp-content/uploads/2012/07/codigo-de-etica-psicologia.pdf
Duarte, E. P., & Queiroz, M. (2024). Oliveira Viana, raça e autoritarismo brasileiro: o povo como objeto da ciência na constituição da soberania e da arquitetura institucional. Veritas (Porto Alegre), 69(1), e44148.
Fanon, F. (2008). Pele negra, máscaras brancas (R. Silveira, trad.). Salvador, BA: EDUFBA. (Trabalho original publicado em 1952)
Ferreira, D. (2022). Afrolatinidade e educação. In C. Landulfo & D. Matos (Orgs.), Suleando conceitos e linguagens: decolonialidades e epistemologias outras (pp. 17-24). Campinas, SP: Pontes Editores.
Garcia-Roza, L. A. (1994). Pesquisa de tipo teórico. Psicanálise e Universidade, 1(1), 9-32.
Gonzalez, L. (2018). Racismo e sexismo na cultura brasileira. In União dos Coletivos Pan-africanistas. Primavera das rosas negras: Lélia Gonzalez em primeira pessoa. São Paulo, SP: Filhos da África. (Trabalho original publicado em 1980)
Gonzalez, L. (2020). Por um feminismo afro-latino-americano (F. Rios & M. Lima, Orgs.). Rio de Janeiro, RJ: Zahar. (Trabalho original publicado em 1970-1990)
Haraway, D. (1995). Saberes localizados: a questão da ciência para o feminismo e o privilégio da perspectiva parcial. Cadernos Pagu, (5), 7-41. Recuperado de https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/cadpagu/article/view/1773
hooks, b. (2019). Teoria feminista: da margem ao centro. São Paulo, SP: Perspectiva. (Trabalho original publicado em 1984)
Jesus, C. M. (1993). Quarto de despejo. São Paulo, SP: Ática. (Trabalho original publicado em 1960)
Kilomba, G. (2020). Memórias da plantação: episódios de racismo cotidiano. Rio de Janeiro, RJ: Cobogó.
Krenak, A. (2024). Futuro ancestral. Rio de Janeiro, RJ: Taurus.
Martins, G. D. A., & Theóphilo, C. R. (2009). Metodologia da investigação cientifica (pp. 143-164). São Paulo, SP: Atlas.
Mbembe, A. (2017). Crítica da razão negra. Lisboa: Antígona. (Trabalho original publicado em 2014)
Miez, W. (2024a). A emergência da perspectiva psicossocial para pensar a cis-heteronormatividade na identidade de homens. Psicologia e Saúde, 16(2), e1682120. https://doi.org/10.20435/pssa.v15i1.2120
Miez, W. (2024b). Descortinando estudos em masculinidades: uma análise sobre o catálogo de teses e dissertações da Fundação Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior. Psicologia USP, 35, e210137. https://doi.org/10.1590/0103-6564e210137
Oyěwùmí, O. (2021). A invenção das mulheres: construindo um sentido africano para os discursos ocidentais de gênero (W. F. Nascimento, trad.). Rio de Janeiro, RJ: Bazar do Tempo.
Quijano, A. (2007). Colonialidad del poder e clasificación social. In S. Castro-Gómez & R. Grosfoguel. El giro decolonial: reflexiones para una diversidad epistémica más allá del capitalismo global (pp. 93-126). Bogotá: Siglo del hombre.
Ribeiro, D. (2019a). O que é lugar de fala? São Paulo, SP: Pólen Livros. (Trabalho original publicado em 2017)
Ribeiro, D. (2019b). Pequeno manual antirracista. São Paulo, SP: Companhia das Letras.
Santos, E., & Santanna, Y. (2022). Colonialidade do poder. C. Landulfo & D. Matos (Orgs.), Suleando conceitos e linguagens: decolonialidades e epistemologias outras (pp. 24-59). Campinas, SP: Pontes Editores.
Schmidt, S. (2024, 26 de outubro). Qualis-periódicos será substituído por classificação com foco nos artigos. Revista Pesquisa Fapesp. Recuperado de https://revistapesquisa.fapesp.br/qualis-periodicos-sera-substituido-por-classificacao-com-foco-nos-artigos/
Veronelli, G. A. (2019). La colonialidad dei lenguaje y el monolenguajear como práctica linguística de racialización. Polifonia, 26(44), 1-163.
Yousafzai, M. (2013). Eu sou Malala. São Paulo, SP: Companhia das Letras.
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Licença
Direitos autorais (c) 2026 Psicologia USP

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Todo o conteúdo de Psicologia USP está licenciado sob uma Licença Creative Commons BY-NC, exceto onde identificado diferentemente.
A aprovação dos textos para publicação implica a cessão imediata e sem ônus dos direitos de publicação para a revista Psicologia USP, que terá a exclusividade de publicá-los primeiramente.
A revista incentiva autores a divulgarem os pdfs com a versão final de seus artigos em seus sites pessoais e institucionais, desde que estes sejam sem fins lucrativos e/ou comerciais, mencionando a publicação original em Psicologia USP.
