O caso Naoki: uma perspectiva entre a pulsão de apoderamento e a teoria do apego
DOI:
https://doi.org/10.1590/0103-6564e260001Palavras-chave:
apoderamento, apegoautismo, psicanálise, pulsãoResumo
Este artigo discute a “pulsão de apoderamento” (Bemächtigungstrieb), utilizada por Freud, e analisa suas semelhanças e diferenças em relação à Teoria do Apego, de Bowlby. A demonstração é feita no caso de uma criança autista, Naoki Higashida, em seu livro autobiográfico O que me faz pular. Primeiramente, aproximamos o apego à expressão do apoderamento; em seguida, examinamos a distinção dessa pulsão, e, por último, expomos os aspectos dessa força pulsional numa condição psicopatológica. Assim, destacaremos o aparelho de apoderamento no autismo sob o signo da estereotipia, cuja função é estabelecer a ordem psíquica. Este é operado essencialmente na voz, seu objeto de apropriação/rejeição. No caso de Naoki, isso se manifesta na formulação “nós olhamos a voz”. Por fim, sublinharemos o traço patogênico do apoderar-se, bem como a invenção feita pela criança no trânsito do “se fazer para si” ao “se fazer para o outro” no laço social.
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