Une « femme de foi » : les résonances coloniales de la violence à l’égard des femmes
DOI :
https://doi.org/10.1590/0103-6564e235442Mots-clés :
féminicide, psychanalyse, féminisme, décolonialitéRésumé
Nous partons d’un cas clinique, interprété par le biais des théories féministes décoloniales en conjonction avec une perspective psychanalytique également décoloniale. Nous avons choisi la doctrine du cas unique comme méthode. Nous analysons le cas à travers trois formes de violence lié au gendre : conjugale, religieuse et d’État, dans un cadre critique. Nous discutons de la dimension inconsciente des processus d’identification qui peuvent soutenir ou démonter la structure du pouvoir patriarcal, qui structure et cherche à domestiquer la jouissance des femmes, inscrite symboliquement dans la logique distributive de ce système de pouvoir basé sur le binarisme de gendre. Nous concluons que le psychanalyste doit être averti de cette structure afin de ne pas exercer la clinique en étant aliéné à celle-ci et en la reproduisant, comme si la singularité du cas pouvait dissimuler et contenir la violence coloniale de genre, au lieu de l’inverse, qui agit sur le dressage et la normalisation des modes de jouissance des femmes.
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