La mémoire comme épilogue et prologue : de l’interruption du devenir au deuil par suicide
DOI :
https://doi.org/10.1590/0103-6564e245607Mots-clés :
suicide, deuil, récit, mémoire, devenirRésumé
Cet essai théorique reflète sur la mort de soi et le deuil par suicide. Dans un premier temps, la discussion sur le suicide s’articule autour de la notion d’épilogue qui, au-delà du sens de conclusion, de clôture ou d’explication de l’acte, représente la rupture du devenir, inaugurant une autre temporalité : celle de la mémoire. Nous introduisons ensuite l’idée de prologue pour décrire la vie des personnes profondément marquées par la perte due au suicide, qui doivent reconfigurer leur propre existence à partir de l’absence. En ce sens, nous proposons de comprendre l’acte suicidaire comme l’interruption de la vie biologique qui, cependant, n’implique pas la fin de la dimension biographique. Celle-ci, à son tour, s’inscrit dans la mémoire des personnes en deuil, favorisant l’élaboration symbolique de la perte, et marquant à la fois un point de départ et un épilogue dans la vie de ceux qui restent.
Téléchargements
Références
Alvarez, A. (1999). O deus selvagem: um estudo do suicídio. São Paulo, SP: Companhia das Letras.
Ariés, P. (2014). O homem diante da morte. São Paulo, SP: Editora Unesp. (Trabalho original publicado em 1977)
Barbagli, M. (2019). O suicídio no ocidente e no oriente. Petrópolis, RJ: Vozes.
Berenchtein Netto, N. B., & Carvalho, B. P. (2019). Contribuições da psicologia histórico-cultural para a compreensão da morte de si. In F. C. Marquetti (Org.), Suicídio: escutas do silêncio (pp. 23-62). São Paulo, SP: Unifesp.
Bosi, E. (2023). Memória e sociedade: lembranças de velhos. São Paulo, SP: Companhia das Letras.
Cabral, B. E. B., Lima, G. R. N., & Wrublewski, G. S. (2017). Sobre as dimensões ético-política e experiencial na formação de psicólogos como profissionais de saúde. In B. E. B. Cabral, C. L. B. T. Barreto, M. J. Kovács, & M. L. S. Schmidt (Orgs.), Prática psicológica em instituições: clínica, saúde e educação (pp. 149-165). Curitiba, PR: CRV.
Casellato, G. (2015). Luto não reconhecido: Um conceito a ser explorado. In G. Casellato (Org.), Dor silenciosa ou dor silenciada: perdas e lutos não reconhecidos por enlutados e sociedade (pp. 19-33). Niterói, RJ: Polobooks.
Casellato, G. (2020). Luto e identidade. In G. Casellato (Org.), Luto por perdas não legitimadas na atualidade (pp. 25-37). São Paulo, SP: Summus.
Cassorla, R. M. S. (2017). Suicídio: fatores inconscientes e aspectos socioculturais – uma introdução. São Paulo, SP: Blucher.
Clark, S. (2007). Depois do suicídio: apoio às pessoas em luto. São Paulo, SP: Gaia.
Couto, M. (2003). Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra. São Paulo, SP: Companhia das Letras.
Dunker, C. I. L. (2023). Lutos finitos e infinitos. São Paulo, SP: Planeta do Brasil.
Fine, C. (2018). Sem tempo de dizer adeus: como sobreviver ao suicídio de uma pessoa querida. São Paulo, SP: Martins Fontes.
Frochtengarten, F. (2005). Memórias de vida, memórias de guerra. São Paulo, SP: Perspectiva/FAPESP.
Fukumitsu, K. O. (2013). O processo de luto do filho da pessoa que cometeu suicídio (Tese de doutorado), Instituto de Psicologia, Universidade de São Paulo, SP, Brasil.
Fukumitsu, K. O., & Kovács, M. J. (2016). Especificidades sobre processo de luto frente ao suicídio. Psico, 47(1), 3-12. doi: 10.15448/1980-8623.2016.1.19651
Gagnebin, J. M. (2009). Lembrar escrever esquecer. São Paulo, SP: Editora 34.
Halbwachs, M. (2003). A memória coletiva. São Paulo, SP: Centauro.
Hwang, E. (2024). Do grito silenciado à palavra: narrativas de vida de (sobre)viventes de tentativas de suicídio. (Tese de doutorado), Instituto de Psicologia, Universidade de São Paulo, SP, Brasil.
Jamison, K. R. (2010). Quando a noite cai: entendendo a depressão e o suicídio. Rio de Janeiro, RJ: Gryphus.
Kalina, E., & Kovadloff, S. (1983). As cerimônias da destruição. Rio de Janeiro, RJ: Francisco Alves.
Kovács, M. J. (1998). Autonomia e o direito de morrer com dignidade. Revista Bioética, 6(1), 61–69. Recuperado de https://revistabioetica.cfm.org.br/revista_bioetica/article/view/326.
Kovács, M. J. (2003). Bioética nas questões de vida e morte. Psicologia USP, 14, 95-167. doi: 10.1590/S0103-65642003000200008
Kovács, M. J. (2013). Revisão crítica sobre conflitos éticos envolvidos na situação de suicídio. Psicologia: Teoria e Prática, 15(3), 69-82.
Kovács, M. J. (2020). Prefácio. In G. Casellato (Org.), Luto por perdas não legitimadas na atualidade (pp. 9-14). São Paulo, SP: Summus.
Kovács, M. J., Hwang, E., & Malheiro, D. R. (2024). Suicídios: contextualização, políticas públicas, pesquisa, prevenção e pósvenção. In L. Szymanski & M. L. S. Schmidt (Orgs.), Práticas democráticas e epistemologias contra-hegemônicas: formação e cuidado (pp. 152–157). Curitiba, PR: CRV.
Marquetti, F. C. (2014). O suicídio e sua essência transgressora. Psicologia USP, 25(3), 237-245. doi: 10.1590/0103-6564D20140006
Marquetti, F. C. (2019). Um suicídio enlaçado pelo esquecimento. Revista Brasileira de Psicanálise, 53(4), 175-191.
Marquetti, F. C. (2022). A morte de si: não pertencimento, desamores e maldições. São Paulo, SP: Unifesp.
Marquetti, F. C. (2025). O suicídio como espetáculo: Netuno e Laila. In A. C. M. Medeiros, F. C. Marquetti, G. Pinezi, & W. André (Orgs.), Estudos críticos sobre o suicídio: perspectivas interdisciplinares (pp. 233-249). Campinas, SP: Pontes Editores.
Minois, G. (2018). História do suicídio: a sociedade ocidental diante da morte voluntária. São Paulo, SP: Unesp.
Nagafuchi, T. (2019). A lógica da falta ou a falta da lógica: como responder ao desafio de compreender o suicídio? Revista Brasileira de Psicanálise, 53(4), 239-253.
Parkes, C. M. (1998). Luto: estudos sobre a perda na vida adulta. São Paulo, SP: Summus.
Pollak, M. (1989). Memória, esquecimento, silêncio. Estudos Históricos, 2(3), 3-15.
Puente, F. R. (2008). Os filósofos e o suicídio. Belo Horizonte, MG: UFMG.
Stroebe, M., & Schut, H. (2001). Models of coping with bereavement: A review. In M. Stroebe, R. O. Hansson, W. Stroebe, & H. Schut (Eds.), Handbook of bereavement research: consequences, coping, and care (pp. 375-403). Washington, DC: American Psychological Association.
Szasz, T. (1974). O mito da doença mental: fundamentos de uma teoria da conduta pessoal. São Paulo, SP: Círculo do Livro.
Szasz, T. (2002). Fatal freedom: the ethics and politics of suicide. Syracuse: New York University Press.
Szasz, T. (2011). Suicide prohibition: the shame of medicine. Syracuse: New York University Press.
Téléchargements
Publiée
Numéro
Rubrique
Licence
(c) Copyright Psicologia USP 2026

Ce travail est disponible sous la licence Creative Commons Attribution 4.0 International .
Todo o conteúdo de Psicologia USP está licenciado sob uma Licença Creative Commons BY-NC, exceto onde identificado diferentemente.
A aprovação dos textos para publicação implica a cessão imediata e sem ônus dos direitos de publicação para a revista Psicologia USP, que terá a exclusividade de publicá-los primeiramente.
A revista incentiva autores a divulgarem os pdfs com a versão final de seus artigos em seus sites pessoais e institucionais, desde que estes sejam sem fins lucrativos e/ou comerciais, mencionando a publicação original em Psicologia USP.
