Alteridade e apreço pela diversidade na constituição de modos de vida sustentáveis
DOI:
https://doi.org/10.1590/0103-6564e240098Palavras-chave:
psicologia ambiental, antropologia, sustentabilidade, comunidades tradicionaisResumo
A partir de reflexões fundamentadas em experiências teórico-empíricas, decorrentes de nossa trajetória de pesquisa e extensão situada na interface entre Psicologia Ambiental e Antropologia, abordamos aspectos que incidem sobre a ação coletiva e a adoção de comportamentos sustentáveis. Embasando-nos numa análise qualitativo-interpretativa de relatos de histórias de vida de 10 pessoas com atuações no campo ambiental, discutimos modos de ação orientados e motivados por diferentes experiências de alteridade, isto é, por reflexões e reorientações de conduta, práticas, perspectivas e moralidades engendradas no encontro, sobretudo, com modos de vida e organização sociais não-hegemônicas, tais quais as vivências históricas de povos e comunidades tradicionais. Concluímos, por fim, que a emergência de imagens de futuro se coloca como caminhos para a promoção de práticas ecologicamente corretas, tendo em vista a disseminação de uma cultura de sustentabilidade.
Downloads
Referências
Almeida, M. W. B. de. (2013). Caipora e outros conflitos ontológicos. Revista de Antropologia da UFSCar, 5(1), 7–28. doi: 10.52426/rau.v5i1.85
Bonnes, M., Carrus, G., Corral-Verdugo, V., & Passafaro, P. (2010). The socio-psychological affinity towards diversity: from biodiversity to socio-ecological sustainability. In V. Corral-Verdugo, C. Garcia-Cadena, & M. Frias-Armenta (Orgs.), Psychological approaches to sustainability: current trends in theory, reseacrh and applications (pp. 125-140). Nova York: Nova Science.
Castro, E. V. (2011). O medo dos outros. Revista de Antropologia, 54(2). doi: 10.11606/2179-0892.ra.2011.39650
Carvalho, I. C. (2004). Métodos qualitativos em pesquisa em educação ambiental: análise de trajetórias. In Simpósio Brasileiro- Alemão de Pesquisa Qualitativa e Interpretação de Dados. Brasília, DF.
Chawla, L. (1999). Life paths into effective environmental action. The Journal of Environmental Education, 31(1), 15-26.
Clayton, S., & Opotow, S. (2004). Identity and the natural environment: the psychological significance of nature. Cambridge, MA: MIT Press.
Cooper Marcus, C. C. (1974). Children’s play behavior in a low-rise, inner-city housing development. Berkeley: Institute of Urban and Regional Development.
Corral-Verdugo, V., Bonnes, M., Tapia-Fonllem, C., Fraijo-Sing, B., Frías-Armenta, M., & Carrus, G. (2009). Correlates of pro-sustainability orientation: The affinity towards diversity. Journal of Environmental Psychology, 29(1), 34–43.
Corral-Verdugo, V. (2010). Psicologia de la Sustentabilidad: un análisis de lo que nos hace pro-ecológicos y pro-sociales. Cidade do México: Trillas.
Corral-Frías, V. O., Lucas, M. Y., Corral-Frías, N. S., Corral-Verdugo, V., & Tapia-Fonllem, C. (2019). Assessment of Affinity towards diversity using the implicit association test and self-reports. Sustainability, 11(20), 5825. doi:10.3390/su11205825
Danowski, D., & Viveiros de Castro, E. (2014). Há mundo por vir? Ensaio sobre os medos e os fins. Florianópolis: Desterro, Cultura e Barbárie e Instituto Socioambiental.
Descola, P. (1998). Estrutura ou sentimento: a relação com o animal na Amazônia. Mana, 4(1), 23-45.
Dilger, G., Lang, M., & Pereira Filho, J. (Orgs.). (2016). Descolonizar o imaginário: Debates sobre pós-extrativismo e alternativas ao desenvolvimento. São Paulo: Elefante.
Diniz, R. F. (2015). Experiências de vida e a formação do compromisso pró-ecológico (Tese de doutorado, Universidade Federal do Rio Grande do Norte). Repositório UFRN.
Diniz, R. F., & Pinheiro, J. de Q. (2017). O Compromisso Pró-Ecológico nas Palavras de Seus Praticantes. Paidéia (Ribeirão Preto), 27, 395–403. doi.org/10.1590/1982-432727s1201704
Diniz, R. (2021). Contribuições subversivas para uma Psicologia Ambiental insurgente e genuinamente latino-americana. In: T. Farias, N. Olekszechen, & M. A. M. Brito (Orgs.). Relações pessoa-ambiente na América Latina: perspectivas críticas, territorialidades e resistências (pp. 55-74). Florianópolis: ABRAPSO Editora.
Dunn, R. J. H., Miller, J. B., Willett, K. M., & Gobron, N. (Eds.). (2023). Global climate [in “State of the Climate in 2022“]. Bulletin of the American Meteorological Society, 104(9), S11–S145. doi: 10.1175/BAMS-D-23-0090.1
Durazzo, L. (2021). Parentesco entre espécies no Nordeste indígena: Árvores cosmogenealógicas e metáforas vegetais. Revista Anthropológicas, 32(1), 37-63. doi: 10.51359/2525-5223.2021.245144
Fleury, L. C., Miguel, J. C. H., & Taddei, R. (2019). Mudanças climáticas, ciência e sociedade. Sociologias, 21(51), 18–42. doi: 10.1590/15174522-0215101
Goldman, M. (2006). Alteridade e experiência: antropologia e teoria etnográfica. Etnográfica: Revista do Centro em Rede de Investigação em Antropologia, 10(1), 161-173.
Gurgel, F. F., & Pinheiro, J. Q. (2011). Compromisso pró-ecológico. In S. Cavalcante, & G. A. Elali (Orgs.),. Temas básicos em psicologia ambiental (pp. 159-173). Petrópolis: Vozes.
Instituto Nacional de Meteorologia. (2025, 2 de janeiro). Ano de 2024 é o mais quente no Brasil desde 1961. Recuperado de https://portal.inmet.gov.br/noticias/2024-%C3%A9-o-ano-mais-quente-da-s%C3%A9rie-hist%C3%B3rica-no-brasil
Intergovernmental Panel on Climate Change. (2021). Climate Change 2021: The Physical Science Basis. Contribution of Working Group I to the Sixth Assessment Report of the Intergovernmental Panel on Climate Change. Cambridge: Cambridge University Press.
Krenak, A. (2019). Ideias para adiar o fim do mundo. São Paulo: Companhia das Letras.
Latour, B. (2021). Diante de Gaia: Oito conferências sobre a natureza no Antropoceno. São Paulo: Ubu Editora.
Little, P. E. (2018). Territórios sociais e povos tradicionais no Brasil: Por uma antropologia da territorialidade. Anuário Antropológico, 28(1), 251-90.
Ministério da Igualdade Racial. (2024, março 18). Ministério da Igualdade Racial apresenta ODS 18 ao Grupo de Trabalho e Desenvolvimento do G20. Agência Gov. Recuperado de https://agenciagov.ebc.com.br/noticias/202403/ministerio-da-igualdade-racial-apresenta-ods-18-ao-grupo-de-trabalho-e-desenvolvimento-do-g20
NOAA. (2021). State of the Climate in 2020. National Centers for Environmental Information.
Neves, W. A. (1992). Sociodiversidade e biodiversidade: dois lados de uma mesma equação. In W. A. Neves, Desenvolvimento sustentável nos trópicos úmidos. Belém: UNAMAZ.
Organização das Nações Unidas. (2024). Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Recuperado de https://brasil.un.org/pt-br/sdgs/13
Olson, R. L. (1995). Sustainability as a social vision. Journal of Social Issues, 51, 15‐35.
Pérez Ibarra, R. E., Tapia-Fonllem, C., Fraijo-Sing, B. S., Nieblas Soto, N., & Poggio, L. (2020). Psychosocial predispositions towards sustainability and their relationship with environmental identity. Sustainability, 12(17), 71-95. doi: 10.3390/su12177195
Pol, E. (2007). Blueprints for a history of environmental psychology (ii): from architectural psychology to the challenge of sustainability. Medio Ambiente y Comportamiento Humano, 8(1-2), 1-28.
Proshansky, H., Fabian, A., & Kaminoff, R. (1983). Place-Identity: physical world socialization of the self. Journal of Environmental Psychology, (3), 57-83.
Sahlins, M. (1997). O “pessimismo sentimental” e a experiência etnográfica: por que a cultura não é um “objeto” em via de extinção (parte II). Mana, 3(2), 103–150. doi: 10.1590/S0104-93131997000200004
Salim, L. (2023, 30 de outubro). Aquecimento tem impactos mais severos na agricultura familiar. Instituto Humanitas Unisinos. Recuperado de https://ihu.unisinos.br/categorias/633810-aquecimento-tem-impactos-mais-severos-na-agricultura-familiar
Stengers, I. (2015). No tempo das catástrofes. Rio de Janeiro: Cosac & Naify.
Tanner, T. (1980). Significant life experiences: a new research area in environmental education. Journal of Environmental Education, 11(4), 20-24.
Tsing, A. (2022). O cogumelo no fim do mundo: Sobre a possibilidade de vida nas ruínas do capitalismo. São Paulo: N-1 Edições.
United Nations Development Programme. (2023). Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Recuperado de https://www.undp.org/pt/brazil/objetivos-de-desenvolvimento-sustentavel
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Licença
Direitos autorais (c) 2025 Psicologia USP

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Todo o conteúdo de Psicologia USP está licenciado sob uma Licença Creative Commons BY-NC, exceto onde identificado diferentemente.
A aprovação dos textos para publicação implica a cessão imediata e sem ônus dos direitos de publicação para a revista Psicologia USP, que terá a exclusividade de publicá-los primeiramente.
A revista incentiva autores a divulgarem os pdfs com a versão final de seus artigos em seus sites pessoais e institucionais, desde que estes sejam sem fins lucrativos e/ou comerciais, mencionando a publicação original em Psicologia USP.
