Dor total em cuidados paliativos oncológicos: um estudo exploratório com pacientes e profissionais de saúde
DOI:
https://doi.org/10.1590/0103-6564e210133Palavras-chave:
dor total, câncer, cuidados paliativos, pacientes, equipe multidisciplinarResumo
Objetivou-se compreender a dor total (física, psicológica, espiritual e social) e comparar os discursos de profissionais de saúde e pacientes oncológicos em cuidados paliativos. Realizou-se estudo qualitativo, entrevistando 13 profissionais e cinco pacientes, analisando os dados por meio do IRaMuTeQ e de conteúdo. Os resultados organizaram-se em cinco classes: (1) “Num misto de dores: definição de dor total”, que aborda sua multidimensionalidade; (2) “Dor e equipe multiprofissional: a necessidade no cuidado”, enfatizando o olhar integral sobre o sujeito; (3) “Avaliação da dor total”, que sinaliza diferentes técnicas; (4) “Cada dia que eu vivo é um milagre: a dor e a relação com a espiritualidade”, como estratégia de enfrentamento; e (5) “Família: laços que afagam e sofrem com o câncer”, reforçando seu apoio social. Conclui-se a necessidade de investimento em avaliação e tratamento da dor do câncer, pois sua atenção singular pode colaborar para o enfrentamento da doença com maior dignidade.
Downloads
Referências
Almeida, C. M. T., Almeida, F. N. A. S., Escola, J. J. J., & Rodrigues, V. M. C. P. (2016). A influência tecnológica no cuidar dos profissionais de saúde: tradução e adaptação
de escalas. Revista Latino-Americana de Enfermagem, 24, e2681. doi: 10.1590/1518-8345.0990.2681
Almeida, H. R. A., & Melo, C. F. (2018). Prácticas de ortotanasia y cuidados paliativos en pacientes con cáncer terminal: una revisión sistemática de la literatura. Enfermería Global, 17(51), 529-544. Recuperado de https://pesquisa.bvsalud.org/portal/resource/pt/ibc-173977
Almeida, H. R. A., & Melo, C. F. (2019). Orthotanasia and dignified death in cancer patients: the perception of health professionals. Psicooncología (Pozuelo de Alarcón), 16(1), 143-160. Recuperado de https://pesquisa.bvsalud.org/portal/resource/pt/ibc-184804
Ayres, J. R. C. M. (2017). Cuidado: trabalho, interação e saber nas práticas de saúde. Revista Baiana de Enfermagem, 31(1), e21847. doi: 10.18471/rbe.v31i1.21847
Bard, B. A., & Cano, D. S. (2018). O papel da rede social de apoio no tratamento de adultos com câncer. Mudanças – Psicologia da Saúde, 26(1), 23-33. doi: 10.15603/2176-1019/
mud.v26n1p23-33
Bardin, L. (1977). Análise de conteúdo (L. A. Reto & A. Pinheiro, trad.). Lisboa: Edições 70.
Benites, A. C., Neme, C. M. B., & Santos, M. A. (2017). Significados da espiritualidade para pacientes com câncer em cuidados paliativos. Estudos de Psicologia, 34(2), 269-279. doi: 10.1590/1982-02752017000200008
Boff, L. (2004). Saber cuidar: ética do humano: compaixão pela terra (10a ed.). São Paulo, SP: Vozes.
Brandão, M. C. P., Anjos, K. F., Sampaio, K. C. P., Mochizuki, A. B., & Santos, V. C. (2017). Cuidados paliativos do enfermeiro ao paciente oncológico. Revista Brasileira de Saúde Funcional, 1(2), 76-88. Recuperado de http://www.seer-adventista.com.br/ojs3/
index.php/RBSF/article/view/879
Caldeira, S., Carvalho, E. C., & Vieira, M. (2014). Entre o bem-estar espiritual e a angústia espiritual: possíveis fatores relacionados a idosos com cancro. Revista Latino-Americana de Enfermagem, 22(1), 1-7. doi: 10.1590/0104-1169.3073.2382
Camargo, B. V., & Justo, A. M. (2013). IRAMUTEQ: um software gratuito para análise de dados textuais. Temas em Psicologia, 21(2), 513-518. doi: 10.9788/TP2013.2-16
Carvalho, R. T., & Parsons, H. A. (Orgs.). (2012). Manual de cuidados paliativos ANCP: ampliado e atualizado (2a ed.). São Paulo, SP: Academia Nacional de Cuidados Paliativos.
Castro, E. K., & Barreto, S. M. (2015). Critérios de médicos oncologistas para encaminhamento psicológico em cuidados paliativos. Psicologia: Ciência e Profissão, 35(1), 69-82. doi: 10.1590/1982-3703000202013
Castro, E. K., & Seabra, C. R. (2017). Tratamento em psico-oncologia. In M. C. O. S. Miyazaki, M. L. M. Teodoro, & R. Gorayeb (Orgs.), PROPSICO: Programa de Atualização em Psicologia Clínica e da Saúde: Ciclo 1 (Sistema de Educação Continuada a Distância, Vol. 4, pp. 43-68). Porto Alegre, RS: Artmed Panamericana.
Contatore, O. A., Malfitano, A. P. S., & Barros, N. F. (2017). Os cuidados em saúde: ontologia, hermenêutica e teleologia. Interface – Comunicação, Saúde, Educação, 21(62), 553-563. doi: 10.1590/1807-57622016.0616
Cruz, C. B., & Barros, M. E. B. (2019). Gestos clínicos na formação em psicologia: práticas de transformação coletiva no acompanhamento de processos. Revista Polis e Psique, 9(3), 213-230. doi: 10.22456/2238-152X.94353
D’Alessandro, M. P. S., Pires, C. T., & Forte, D. N. (Coords.). (2020). Manual de cuidados paliativos. São Paulo, SP: Hospital Sírio Libanês.
Flick, U. (2009). Introdução à pesquisa qualitativa (J. E. Costa, trad., 3a ed.). Porto Alegre, RS: Artmed.
Frizzo, A. C., & Monteiro, L. R. (2018). O cuidado no pensamento de Leonardo Boff:
terapia para a sociedade líquido-moderna. Espaços, 26(2), 309-323. Recuperado de https://www.espacos.ittesp.com.br/index.php/espacos/article/view/223
Gariglio, M. T. (2012). O cuidado em saúde. In Escola de Saúde Pública do Estado de Minas Gerais, Oficinas de qualificação em atenção primária à saúde em Belo Horizonte: oficina 2 – atenção centrada na pessoa (pp. 1-7). Belo Horizonte, MG: ESPMG.
Hamieh, N. M., Akel, R., Anouti, B., Traboulsi, C., Makki, I., Hamieh, L., & Tfayli, A. (2018). Cancer-related pain: prevalence, severity and management in a tertiary care center in the Middle East. Asian Pacific Journal of Cancer Prevention, 19(3), 769-775. doi: 10.22034/APJCP.2018.19.3.769
Knaul, F., Radbruch, L., Connor, S., Lima, L., Arreola-Ornelas, H., Mendez Carniado, O., . . . Krakaue, E. L. (2020). How many adults and children are in need of palliative care worldwide? In S. R. Connor (Ed.), Global atlas of palliative care (2a ed., pp. 16-32). London: Worldwide Hospice Palliative Care Alliance.
Mattos, K., Blomer, T. H., Campos, A. C. B. F., & Silvério, M. R. (2016). Estratégias de enfrentamento do câncer adotadas por familiares de indivíduos em tratamento oncológico. Psicologia e Saúde, 8(1), 1-6. doi: 10.20435/2177093X2016101
Melo, C. F., Morais, J. C. C., Medeiros, L. C. L., Lima, A. C. F. B., Bonfim, L. P., & Martins, J. C. O. (2021). O binômio morte e vida para idosos em cuidados paliativos. Revista da SPAGESP, 22(2), 5-18. Recuperado de http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1677-29702021000200002&lng=pt&nrm=iso
Merhy, E. E. (2004). O ato de cuidar: a alma dos serviços de saúde. In Ministério da Saúde, VER–SUS Brasil: cadernos de textos (Série B, Textos Básicos de Saúde, pp. 108-137). Brasília, DF: Ministério da Saúde. Recuperado de https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/CadernoVER_SUS.pdf
Minayo, M. C. S. (2017). Amostragem e saturação em pesquisa qualitativa: consensos e controvérsias. Revista Pesquisa Qualitativa, 5(7), 1-12. Recuperado de https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/7429265/mod_resource/content/1/amostragem%20e%20saturac%CC%A7a%CC%83o%20pesq%20qualitat%20Minayo%202017.pdf
Nascimento, J. C. C. (2017). Avaliação da dor em paciente com câncer em cuidados paliativos a luz da literatura. Saúde & Ciência em Ação, 3(1), 11-26. Recuperado de https://revistas.unifan.edu.br/index.php/RevistaICS/article/view/329
Okon, T. T., & Christensen, A. (2020, 29 de janeiro). Overview of comprehensive patient assessment in palliative care. Recuperado de https://www.uptodate.com/contents/
overview-of-comprehensive-patient-assessment-in-palliative-care
Oliveira, D. S. A., Cavalcante, L. S. B., & Carvalho, R. T. (2019). Sentimentos de pacientes em cuidados paliativos sobre modificações corporais ocasionadas pelo câncer. Psicologia: Ciência e Profissão, 39, e176879. doi: 10.1590/1982-3703003176879
Oliveira, P. F., & Queluz, F. N. F. R. (2016). A espiritualidade no enfrentamento do câncer. Revista de Psicologia da IMED, 8(2), 142-155. doi: 10.18256/2175-5027/psico-imed.
v8n2p142-155
Raja, S. N., Carr, D. B., Cohen, M., Finnerup, N. B., Flor, H., Gibson, S., . . . Vader, K. (2020). The revised International Association for the Study of Pain definition of pain: concepts, challenges, and compromises. Pain, 161(9), 1976-1982. doi: 10.1097/j.pain.0000000000001939
Ramos, C. M. O.; Feijao, G. M. M.; Melo, C. F. (2020) As vivências do luto do paciente oncológico. Alternativas en Psicología, 43, 91-116.
Resolução n. 466, de 12 de dezembro de 2012. (2013, 13 de junho). Aprova as diretrizes e normas regulamentadoras de pesquisas envolvendo seres humanos. Diário Oficial da União, seção 1.
Santos, W. P., Silva, F. K. F., Ribeiro, I. S., Abreu, A. I. S. C. S., Menezes, M. R. S., & Bezerra, M. L. R. (2020). O enfrentamento do câncer fora de possibilidade terapêutica: uma revisão integrativa. Revista Enfermagem Atual In Derme, 93(31), e-020019. doi: 10.31011/reaid-2020-v.93-n.31-art.659
Saunders, C. (1963). The treatment of intractable pain in terminal cancer. Proceedings of the Royal Society of Medicine, 56(3), 195-197. doi: 10.1177/003591576305600322
Saunders, C. (1984). Pain and impending death. In P. D. Wall & R. Melzack (Orgs.), Textbook of pain (pp. 472-478). London: Churchill Livingstone.
Saunders, C. (1991). Hospice and palliative care: an interdisciplinary approach. London: Edward Arnold.
Saunders, C. (1995). A response to logue’s: where hospice fails -- the limits of palliative care. Omega (Westport), 32(1), 1-5.
Wiermann, E. G., Estevez Diz, M. P., Caponero, R., Lages, P. S. M., Araujo, C. Z. S, Bettega, R. T. C., & Souto, A. K. B. A. (2014). Consenso brasileiro sobre manejo da dor relacionada ao câncer. Revista Brasileira de Oncologia Clínica, 10(38), 132-143. Recuperado de https://www.sboc.org.br/sboc-site/revista-sboc/pdfs/38/artigo2.pdf
World Health Organization. (2022, 3 de fevereiro). Cancer. Recuperado de https:// https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/cancer
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Licença
Direitos autorais (c) 2024 Psicologia USP

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Todo o conteúdo de Psicologia USP está licenciado sob uma Licença Creative Commons BY-NC, exceto onde identificado diferentemente.
A aprovação dos textos para publicação implica a cessão imediata e sem ônus dos direitos de publicação para a revista Psicologia USP, que terá a exclusividade de publicá-los primeiramente.
A revista incentiva autores a divulgarem os pdfs com a versão final de seus artigos em seus sites pessoais e institucionais, desde que estes sejam sem fins lucrativos e/ou comerciais, mencionando a publicação original em Psicologia USP.
