Zezé Motta, o sucesso da negritude: reflexões sobre racismo, mídia e corpo
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.2179-5487.22.2026.232503Palavras-chave:
Zezé Motta, sexismo, racialização, sex symbolResumo
Este artigo analisa a trajetória de Zezé Motta concentrando-se nas décadas de 1970 e 1980. A pesquisa analisa como Zezé conseguiu conquistar sucesso e reconhecimento em uma sociedade racista, mantendo uma postura de enfrentamento ao racismo, apesar das limitações impostas à sua imagem e corpo. O estudo, ancorado na História Social da Cultura em diálogo com os Estudos Culturais e Feministas, investiga os papeis sociais impostos às artistas negras na época e como Zezé alcançou o status de sex symbol dentro desse cenário. Explora também como a artista percebeu a objetificação do seu corpo e como esse corpo foi parte indissociável de sua identidade artística. Com base em fontes hemerográficas de acervos digitais e físicos e na análise dos álbuns lançados entre 1975 e 1985, buscamos compreender a inserção de Zezé Motta no mercado audiovisual e fonográfico brasileiro, os repertórios escolhidos, o desempenho comercial, as estratégias que sustentaram sua consolidação como cantora e atriz, a repercussão midiática de sua fama e como sua imagem foi apresentada ao público, articulando essas dimensões para compreender a construção de sua trajetória artística.
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