Zezé Motta, o sucesso da negritude: reflexões sobre racismo, mídia e corpo

Autores

  • Eduarda Caroline Borges dos Santos Universidade Federal da Bahia image/svg+xml
  • Davi Miguel de Souza Santos Universidade Federal da Bahia image/svg+xml

DOI:

https://doi.org/10.11606/issn.2179-5487.22.2026.232503

Palavras-chave:

Zezé Motta, sexismo, racialização, sex symbol

Resumo

Este artigo analisa a trajetória de Zezé Motta concentrando-se nas décadas de 1970 e 1980. A pesquisa analisa como Zezé conseguiu conquistar sucesso e reconhecimento em uma sociedade racista, mantendo uma postura de enfrentamento ao racismo, apesar das limitações impostas à sua imagem e corpo. O estudo, ancorado na História Social da Cultura em diálogo com os Estudos Culturais e Feministas, investiga os papeis sociais impostos às artistas negras na época e como Zezé alcançou o status de sex symbol dentro desse cenário. Explora também como a artista percebeu a objetificação do seu corpo e como esse corpo foi parte indissociável de sua identidade artística. Com base em fontes hemerográficas de acervos digitais e físicos e na análise dos álbuns lançados entre 1975 e 1985, buscamos compreender a inserção de Zezé Motta no mercado audiovisual e fonográfico brasileiro, os repertórios escolhidos, o desempenho comercial, as estratégias que sustentaram sua consolidação como cantora e atriz, a repercussão midiática de sua fama e como sua imagem foi apresentada ao público, articulando essas dimensões para compreender a construção de sua trajetória artística.

 

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Biografia do Autor

  • Eduarda Caroline Borges dos Santos, Universidade Federal da Bahia

    Mestranda em História Social pelo Programa de Pós Graduação em História - PPGH/UFBA. Possui graduação em História pela Universidade Federal da Bahia (2023). Foi Bolsista PIBIC e membro do Grupo de Estudos e Pesquisas Marxismo e Políticas de Trabalho e Educação (MTE/FACED/UFBA). Foi residente no programa de Residência Pedagógica (RP), no subnúcleo de História. Tem experiência no ensino de História e em políticas da educação, com ênfase nos seguintes temas: escola cívico-militar e militarização do ensino. Foi pesquisadora e monitora no Museu de Arte Sacra / UFBA , atuando, principalmente, no estudo do acervo de mobiliário e nas visitas monitoradas. Tem interesse na área de relações étnico-raciais, gênero, sexualidade e violência.

  • Davi Miguel de Souza Santos, Universidade Federal da Bahia
    Doutorando em História Social na Universidade Federal da Bahia. Mestre pela mesma Universidade, com uma pesquisa sobre as trajetórias das intérpretes Cátia de França e Elba Ramalho, com financiamento Capes. Graduado em História pela mesma Universidade, tendo sido aprovada a Monografia: Por uma História de Mulheres Emergentes de Movimentos Musicais Nordestinos (1970-1985). Foi bolsista de Iniciação Científica em dois Projetos: Antropologia Queer - Poder e O acervo Oral da Comissão da Verdade UFBA. É membro do corpo editorial da Revista de História da UFBA. Membro do Grupo de Pesquisa O Som do Lugar e o Mundo. Atuou como mediador cultural e pesquisador no Museu de Arte Contemporânea da Bahia - IPAC/BA. Interessa-se por temas como História Social da Cultura, História da Música Popular Brasileira e Relações Étnico-Raciais.

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Publicado

2026-02-02

Edição

Seção

Artigos

Como Citar

Borges dos Santos, E. C., & de Souza Santos, D. M. (2026). Zezé Motta, o sucesso da negritude: reflexões sobre racismo, mídia e corpo. Revista Angelus Novus, 22. https://doi.org/10.11606/issn.2179-5487.22.2026.232503