Governança Corporativa no Setor de Apostas de Quota Fixa
uma Análise do Cenário Regulatório Brasileiro
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.0102-8049.i2p012-058Palavras-chave:
Governança corporativa, Apostas de quota-fixa, Externalidades negativas, RegulaçãoResumo
O crescimento do mercado de apostas de quota fixa – também conhecidas como "bets" – suscita debates acerca de iniciativas regulatórias que reconheçam as oportunidades do setor e mitiguem as potenciais externalidades negativas decorrentes da atividade. Considerando que o cenário regulatório brasileiro sobre o tema ainda se encontra em desenvolvimento, torna-se evidente a necessidade de identificar mecanismos que preencham lacunas regulatórias e direcionem a atuação das empresas nesse mercado. Por meio de uma análise crítica das normas brasileiras relativas aos principais elementos das apostas de quota fixa, este artigo explora a relação entre a governança corporativa e o setor, demonstrando o papel dessa no equilíbrio de interesses econômicos e sociais, na promoção da ética e da transparência em práticas comerciais e apontando caminhos para a consolidação de um modelo regulatório eficaz, capaz de responder aos desafios e oportunidades apresentados pelo setor de apostas de quota fixa no Brasil. Com particular atenção às disposições sobre capital social mínimo, requisitos exigidos aos sócios e acionistas controladores, regime de responsabilização dos sócios e acionistas controladores, e destinação da arrecadação das apostas de quota fixa, a análise realizada revela que o atual arcabouço regulatório brasileiro sobre o tema é insuficiente, leniente, além de não abordar adequadamente as externalidades negativas relacionadas às apostas e, em muitos casos, parecer ter como única prioridade o aumento da arrecadação. Esses resultados evidenciam que a governança corporativa se apresenta como um mecanismo essencial para superar os desafios regulatórios do setor das apostas de quota fixa no cenário brasileiro.
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